segunda-feira, 22 de junho de 2015
Noodiversidade e rede social
Somos quase sete bilhões de indivíduos no planeta. Cada um tem sua impressão digital única. Há uma diversidade de indivíduos dentro da unidade da espécie. Há, também, bilhões de manifestações da consciência.
A esfera da consciência é a noosfera, conceito elaborado pelo paleontólogo Pierre Teilhard de Chardin, em seus estudos sobre a evolução. A noosfera engloba o conhecimento interior, ideias, espírito, linguagens, teorias, conjunto de energias mentais, pensamentos, emoções, sentimentos, informações, geradas ou captadas desde o início da vida, e que constituem uma sutil camada que circunda o planeta. A raiz grega da palavra, nous, significa o espírito e a consciência intuitiva. Refere-se à imaginação, ao subjetivo, ao todo, ao pensamento flexível e complexo. Da raiz nous deriva também a palavra noética - a ciência da mente humana, que se refere à consciência pura ou intuitiva. As ciências noéticas exploram a natureza e os potenciais da consciência, acessando direta e intuitivamente o conhecimento, para além dos sentidos normais e da razão. Elas exploram a experiência subjetiva e o universo interior da mente individual e coletiva, relacionados com a sabedoria das tradições espirituais e com o mundo físico exterior. Também deriva a palavra noologia, o estudo sistemático de tudo o que se refere ao espírito, ao conhecimento e ao aparecimento e evolução dos pensamentos.
Hoje em dia se valoriza a biodiversidade e se procura proteger espécies ameaçadas de extinção. A diversidade da vida ajuda a dar mais estabilidade e a reduzir riscos para a vida humana.
Um conceito ainda pouco conhecido, pouco valorizado, a noodiversidade é igualmente valiosa. Um espaço em que se percebe com clareza a noodiversidade é nas redes sociais. Ali as pessoas expressam o que lhes passa pela cabeça, seus interesses, motivações, as causas pelas quais se comprometem e lutam, ou simplesmente jogam e se divertem. As mensagens postadas mostram a noodiversidade, a diversidade de estágios de consciência humana: a diversidade de assuntos e de interesses, de motivações, de abordagens (ativismo e defesa de causas, afetividade, autoajuda, divulgação de informações consideradas relevantes, autopromoção etc). Há pessoas monotemáticas, fixadas num assunto específico; outras têm um leque amplo de interesses e comentam as ideias de outros. Uns se interessam por gatos, outras por sapatos, por cinema e filmes, arquitetura, frases inspiradoras, humor e piadas, futebol, notícias de economia, ecologia, saúde, alimentação, denúncias, campanhas políticas e ideológicas, militância partidária, futebol. Algumas se mostram e autopromovem, outras apenas observam. Ao mesmo tempo essas redes se tornaram arenas de luta nas quais se revelam as dificuldades de lidar com ideais diferentes, a intolerância, as agressões. Cada pessoa que se conecta na rede social é um neurônio no cérebro global. A rede social também abre oportunidades para praticar uma boa ação diária: veicular e circular ideias edificantes.
A tendência ao pensamento único, à hegemonia ideológica, a impor uma forma de ver o mundo, à intolerância e impaciência com quem pensa diferente está presente em diversas situações da vida social e política. O fanático não tolera a existência do diferente e procura suprimi-la. Tolerância, compaixão, capacidade de ter empatia e de se colocar no lugar do outro são qualidades que dão espaço para o florescimento da noodiversidade.
Neste momento, diferentes estágios, modos e estados de consciência estão sendo vividos pelos bilhões de indivíduos e pelas diversas parcelas da humanidade – do astronauta à tribo isolada na Amazônia passando pelas populações urbanas e pelos agricultores.
A crise climática e o risco do colapso ecológico ajudam a despertar para a era do conhecimento intuitivo, uma etapa da evolução que se baseia no desenvolvimento da consciência humana e não mais nos lentos processos da evolução biológica. Matéria (geodiversidade), vida (biodiversidade) e consciência (noodiversidade) integram um mesmo espectro. Mas a evolução da matéria é lenta e se processa nos ritmos da história geológica; a evolução biológica é mais rápida; e a noológica (da consciência intuitiva), é veloz como um raio. A noodiversidade é mais ampla do que a biodiversidade ou a diversidade social e cultural, pois a consciência é fluida, impermanente, intercambiável, sofre influências e transformações constantes e tem a sua dinâmica própria.
Estamos no estágio terminal da era cenozoica (a era dos mamíferos) e no umbral da era ecológica (ou noológica) da evolução da história na Terra: uma era em que a vida passa a ser governada pela consciência ecológica, que compreende sermos parte integrante de um organismo vivo e consciente; e entende que da saúde desse organismo depende nossa saúde e sobrevivência.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Ecologizar as religiões
Padres e bispos, pastores, pais e mães de santo, rabinos, monges, médiuns, gurus, mestres espirituais, líderes religiosos de todas e de cada uma das tradições de sabedoria influenciam as mentes e as atitudes de seus liderados. Eles são milhões em todo o mundo, com bilhões de seguidores. São ouvidos, suas vozes são respeitadas. Transmitem, de geração para geração, valores e princípios de comportamento. Codificam princípios éticos e obtêm a adesão voluntária de seus seguidores. Transmitem conhecimentos, com impacto sobre o estilo de vida daqueles que a elas aderem. Formam a cosmovisão e moldam o imaginário individual e grupal, influenciam hábitos alimentares e de consumo em geral, bem como a vida pessoal e as ações profissionais. Quando propõem mudanças de valores, estilos de vida e padrões de consumo podem ajudar a lidar com o colapso climático e ambiental.
Na sociedade contemporânea, várias fontes influenciam a consciência das pessoas: desde os meios de comunicação de massa, com seus apelos consumistas, até as escolas, as organizações sociais, as famílias, os ambientes de trabalho e também as religiões. As religiões são fatos antropológicos que geram intensa energia individual e social e que modelam comportamentos. Por um lado, podem produzir fanáticos fundamentalistas intolerantes. Por outro lado, podem ser veículos privilegiados para a disseminação da consciência ecológica. Ken Wilber constata no seu livro Espiritualidade Integral que a consciência se manifesta em vários estágios: arcaicos, míticos, mágicos, racionais. As religiões reconhecem esses vários estágios da consciência e não os excluem. Nesse ponto diferem da ciência, racional, que descarta as versões infantis da consciência e “adota apenas os resultados mais recentes do momento”. A consciência racional da era moderna e pós-moderna rejeita crenças e mitos e não abre espaço para eles, o que na visão de Ken Wilber, produziria reações como as dos terroristas e militantes fundamentalistas. Cada um desses estágios é como uma estação num caminho. As pessoas estacionam em algum deles antes de avançar para o seguinte. “As primeiras estações - arcaico para mágico e até mítico – envolvem estágios que, todavia, são aqueles que a vanguarda da humanidade vivenciou em seus primórdios da vida, na infância e na adolescência.” Ele afirma que a religião “é a única instituição com permissão para sancionar estágios que a humanidade atravessou nos seus primórdios, agora codificados em suas versões do nível mítico de sua mensagem espiritual.” Ele diz a religião dá legitimidade aos mitos criados no passado e que são significativos para os cerca de 70% da população mundial que vivem nesses estágios mágicos ou míticos.
Ele constata que a religião funciona como uma esteira transportadora de um estágio de consciência para outros. Ken Wilber observa que “quanto antes as tradições espirituais começarem a oferecer estágios e estados superiores, mais cedo a religião poderá assumir seu novo papel no mundo moderno e pós-moderno: o papel de grande esteira transportadora da humanidade em geral.”
Pensadores e cientistas na vanguarda reconhecem o potencial das tradições espirituais para contribuir na formação da consciência ecológica. Diz James Lovelock, em A vingança de Gaia que (2006, p. 132) “Meu desejo há muito tempo é que as religiões e os humanistas seculares se voltem para o conceito de Gaia e reconheçam que os direitos e necessidades humanos não são suficientes. Os religiosos poderiam aceitar a Terra como parte da criação de Deus, protegendo-a da profanação.” Entretanto o próprio Lovelock (2006, p. 131) constata as limitações das religiões ao observar que “Os fundadores das grandes religiões do judaísmo, cristianismo, islamismo, hinduísmo e budismo viveram em épocas quando éramos bem menos numerosos e vivíamos de um modo que não sobrecarregava a Terra.” E que “Nossas religiões ainda não nos deram as regras e orientações para o nosso relacionamento com Gaia. O conceito humanista de desenvolvimento sustentável e o conceito cristão de direção são maculados por uma arrogância inconsciente. Não dispomos do conhecimento nem da capacidade para atingi-los.”
Algumas tradições compreendem a espécie humana como parte da grande teia da vida, dependente da sobrevivência do mundo animal e vegetal. Podem ajudar a disseminar a consciência ecológica.
As religiões podem oferecer a seus praticantes a vivência de estados de consciência contemplativos e meditativos e, dessa forma, ajudá-los a ascender para estágios de consciência mais amplos.
A transmissão de mensagens e valores por meio das tradições espirituais é parte da aprendizagem ecológica. Em várias religiões, essa transmissão era feita por intermédio de imagens, mitos e histórias que, numa linguagem ao mesmo tempo forte e atraente, disseminaram as informações fundamentais para a sobrevivência autossustentada. A tradição iconográfica e pictórica, de forte impacto visual, que se desenvolveu nas antigas civilizações, alcançava essa totalidade de adequação entre forma e conteúdo, conduzindo informações de conteúdo ecológico codificadas em mitos religiosos.
A atual etapa da civilização exige valores pós-materialistas para que nossa espécie sobreviva. As religiões e tradições espirituais, se ecologizadas, poderiam contribuir para a consciência e as práticas ecológicas. A Encíclica do Papa Francisco divulgada em junho de 2015 é um passo positivo no sentido de ecologizar o catolicismo.
Ecologizar as religiões pode ser um caminho promissor para alcançar a transformação da consciência humana.
sábado, 6 de outubro de 2012
Ecologizar as crenças
Acreditar
em algo e não o viver é desonesto
Mahatma Gandhi
Crenças
existem e têm eficácia ao influir em comportamentos. Acreditemos ou não nas
crenças a ou b , gostemos ou não, elas estão aí. Já que são dados da realidade e que algumas tem efeitos
ecológicos positivos e outras tem efeitos destrutivos, cabe fazer com que se
ecologizem.
Crenças
funcionam para legitimar e justificar atitudes e comportamentos. “Eu acredito
nisso, portanto, me comporto assim ou assado”. Agir em desacordo com a própria crença
provoca desconforto, conflitos pessoais, sentimentos de culpa, dor na
consciência. Aqueles que acreditam, mas que
não têm comportamentos coerentes com sua fé ou crença, sofrem de
autocomplacência, perda de auto-estima e de amor próprio, por não serem fortes
o suficiente para alinhar sua prática com aquilo em que acreditam. “A lacuna
que separa o ideal da prática atinge a todos nós em maior ou menor extensão e
deixa bem clara a diferença entre satisfação e frustração. A felicidade pessoal
está relacionada com a coerência entre o que acredito ser verdade e minhas
ações”.[1]
A hipocrisia desconecta aquilo que se pensa e fala daquilo que se faz. “A teoria na prática é outra”; “faça o que eu digo e não o que eu faço” são frases populares que expressam esse tipo de atitude.
A hipocrisia desconecta aquilo que se pensa e fala daquilo que se faz. “A teoria na prática é outra”; “faça o que eu digo e não o que eu faço” são frases populares que expressam esse tipo de atitude.
Crer,
acreditar, move energias e motiva para o esforço, a obra e o projeto individual
ou coletivo, um mito ou sonho que se transforma em realidade: “ A fé remove
montanhas”.
No
seu livro A biologia da crença, Bruce
Lipton explica como as células do corpo
são influenciadas pelo pensamento e mostra o mecanismo pelo qual elas
recebem e processam as informações. A biologia da crença estuda a relação entre
a vida, o ambiente, o pensamento, as percepções e os vários níveis de
consciência.
Acreditar
na eficácia da homeopatia ou da acupuntura ajuda a usar tratamentos
alternativos e pode torná-los mais eficazes. Acreditar nas mudanças climáticas
e crer que o ser humano tenha responsabilidade nelas ajuda a induzir atitudes ecologicamente
responsáveis. Acreditar que comer carne é ruim para o bem-estar animal, a saúde
humana ou a saúde ambiental ajuda a forjar hábitos alimentares vegetarianos. O
fato de se acreditar e de tentar agir
coerentemente com tais crenças traz resultados ecologicamente amigáveis.
Há
quem prefira não acreditar nas mudanças climáticas e na responsabilidade humana
sobre elas. Assim, não se sentem compromissados a mudar hábitos e estilo de
vida; não se sentem responsáveis por um problema ecológico que tem conseqüências danosas ou negativas. O cético
desobriga-se, perante sua própria consciência, de autolimitar suas atitudes
predatórias; evita assim qualquer drama de consciência. Nesse caso, o ceticismo
pode significar um apego ao conforto, uma forma de comodismo e de não desejar
abrir mão de hábitos.
As
crenças constituem freios ecológicos que colocam limites ao comportamento
humano. Pescadores deixam de sair à pesca quando um passaro específico canta ou
quando uma mulher grávida entra no barco. Acreditam que isso não lhes trará boa
sorte. Crenças de que o sacrifício de animais pode agradar aos deuses e facilitar , por exemplo a vinda de
filhos, leva a rituais religiosos. ( ver , por exemplo o maior sacrifício
animal do mundo no festival de Gadhimai, no Nepal em http://www.igualdadanimal.org/noticias/7267/impactante-reportaje-de-igualdad-animal-sobre-el-mayor-sacrificio-animal-del-mundo.)
O impacto das ações de quem acredita em algo pode ser diferente dos impactos
das ações de quem não acredita no que faz. Crer influi na consciência e nas ações; não
crer também influi no pensamento e nas ações decorrentes. Pessoas cuidam melhor
do ambiente quando crêem na reencarnação, por um senso de auto interesse
ampliado que se estende às próximas gerações e reencarnações. Trata-se da
solidariedade não apenas com as próximas gerações, mas para com as próximas
reencarnações.
(*) Autor dos livros Ecologizar, Tesouros da Índia, Meio Ambiente & Ecologia Humana e de Ecologizando a cidade e o planeta www.ecologizar.com.br ecologizar@gmail.comquinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Autointeresse e consciência ecológica
O autointeresse motiva muitas das ações humanas. Um bebê com fome tem interesse em se alimentar. O bebe chora, obtém o leite e sossega. É saciado com uma mamadeira ou o seio da mãe.
Nossos interesses motivam aquilo em que prestamos atenção e que influenciam nossos pensamentos e consciência. O interesse corporativista caracteriza-se pela defesa do autointeresse de um grupo a exemplo de uma corporação, organização empresarial ou instituição que tenha interesses específicos; ou de uma categoria profissional que queira defender seu mercado de trabalho. Guetos, enclaves, gangues, tribos autocentradas e antagônicas ao entorno também se comportam na defesa do autointeresse de um grupo em oposição aos demais. No campo das raças, o autointeresse confunde-se com o racismo. Centrado em crenças religiosas, leva ao fanatismo e à intolerância.
A defesa do autointeresse particularista se dá também a partir de um território, tais como os burgos da cidade média fortificados com muros para se defender contra os perigos e ameaças externos ou os condomínios fechados que proliferam nas metrópoles modernas e que procuram proteger seus moradores da insegurança e da violência que ocorre no meio externo. Em escala nacional, confunde-se com o chamado interesse nacional. No campo internacional, as dificuldades para se chegar a um acordo sobre o clima explicitam que cada país enxerga como sendo de seu interesse um aspecto distinto. O interesse nacional míope se sobrepõe ao interesse global da espécie. As reuniões internacionais sobre o clima tem sido termômetros que revelam a disposição ao autointeresse estreito ou ao generoso autointeresse planetário.
Num planeta interligado, onde ações num local produzem impactos distantes, cresce a consciência de que o interesse próprio confunde-se com o interesse do outro; em longo prazo e numa perspectiva planetária, são os interesses da própria vida, de sua reprodução e da expansão da consciência. Nessa escala, somos todos terráqueos e o que ocorrer ao planeta Gaia nos afetará a cada um. A perspectiva da catástrofe natural, como, por exemplo, a trazida pelas mudanças climáticas, ajuda a entender que, no limite, o autointeresse confunde-se com o interesse planetário.
O que você pensa percebe ou enxerga como sendo de seu auto interesse?
Em busca do programa que nos interessa, giramos o dial e sintonizamos na freqüência de onda de uma rádio ou zapeamos até encontrar um canal no controle remoto da TV. Quando encontramos uma programação interessante, nos habituamos a sintonizar nela, por rotina ou satisfação. Se estivermos sintonizados numa faixa, não percebemos o conteúdo das demais, apesar de sabermos que elas existem. É impossível estar sintonizado em todas as faixas ao mesmo tempo. Quando nos desinteressa ou não mais nos satisfaz, buscamos outras sintonias ou canais que despertem nosso interesse ou curiosidade.
A compreensão do que é o autointeresse varia de acordo com o modo de consciência em que se está.
O espectro da consciência tem diversos canais. Os diferentes interesses políticos e econômicos se refletem na percepção e no maior ou menor grau de consciência ecológica de cada ator.
Despertar o interesse por uma faixa de onda faz com que a consciência se sintonize e fixe a atenção nela. Há no planeta bilhões de indivíduos humanos, sintonizados em distintas faixas ou canais da consciência. A consciência é condicionada ou moldada por influências culturais, familiares, religiosas, do ambiente humano, social, natural. À medida que se amplia a consciência, passa-se a incluir outros aspectos no campo do interesse próprio. Percebe-se ou enxerga-se mais longe.
O autointeresse nos faz sintonizar a faixa da consciência. À medida que evolui do estágio egocêntrico para o etnocêntrico (o interesse do grupo racial ou social) para o mundicêntrico (o interesse planetário) ou o ecocêntrico, o campo do autointeresse se expande e torna-se mais inclusivo. (Atualmente inúmeros recursos visuais facilitam desenvolver essa perspectiva de escala a exemplo de http://www.youtube.com/watch?v=17jymDn0W6U e http://www.youtube.com/watch?v=Nspk_J9nzHk )
O autointeresse ampliado se aproxima ou identifica com o interesse ecológico. Enquanto a eco-ação focaliza o interesse da vida e de um planeta em condições de abrigá-la, a ego-ação enfatiza o interesse particularista, privado, pessoal. Quando a consciência focada no ego pessoal se amplia para a consciência ecológica, percebe-se que somos parte do ambiente e o que ocorrer com ele ocorrerá conosco.
A consciência social ajuda a avançar de um egoísmo estreito para o altruísmo da ação social. A consciência ecológica ajuda a avançar de um egoísmo míope e ignorante para uma forma mais ilustrada e esclarecida de egoísmo ou para um altruísmo que inclui as pessoas não-humanas (como os golfinhos, por exemplo). Com a consciência ecológica, a noção de autointeresse se alarga e expande. Ecologizar o interesse é uma atitude sábia para enfrentar a atual megacrise da evolução.
Nossos interesses motivam aquilo em que prestamos atenção e que influenciam nossos pensamentos e consciência. O interesse corporativista caracteriza-se pela defesa do autointeresse de um grupo a exemplo de uma corporação, organização empresarial ou instituição que tenha interesses específicos; ou de uma categoria profissional que queira defender seu mercado de trabalho. Guetos, enclaves, gangues, tribos autocentradas e antagônicas ao entorno também se comportam na defesa do autointeresse de um grupo em oposição aos demais. No campo das raças, o autointeresse confunde-se com o racismo. Centrado em crenças religiosas, leva ao fanatismo e à intolerância.
A defesa do autointeresse particularista se dá também a partir de um território, tais como os burgos da cidade média fortificados com muros para se defender contra os perigos e ameaças externos ou os condomínios fechados que proliferam nas metrópoles modernas e que procuram proteger seus moradores da insegurança e da violência que ocorre no meio externo. Em escala nacional, confunde-se com o chamado interesse nacional. No campo internacional, as dificuldades para se chegar a um acordo sobre o clima explicitam que cada país enxerga como sendo de seu interesse um aspecto distinto. O interesse nacional míope se sobrepõe ao interesse global da espécie. As reuniões internacionais sobre o clima tem sido termômetros que revelam a disposição ao autointeresse estreito ou ao generoso autointeresse planetário.
Num planeta interligado, onde ações num local produzem impactos distantes, cresce a consciência de que o interesse próprio confunde-se com o interesse do outro; em longo prazo e numa perspectiva planetária, são os interesses da própria vida, de sua reprodução e da expansão da consciência. Nessa escala, somos todos terráqueos e o que ocorrer ao planeta Gaia nos afetará a cada um. A perspectiva da catástrofe natural, como, por exemplo, a trazida pelas mudanças climáticas, ajuda a entender que, no limite, o autointeresse confunde-se com o interesse planetário.
O que você pensa percebe ou enxerga como sendo de seu auto interesse?
Em busca do programa que nos interessa, giramos o dial e sintonizamos na freqüência de onda de uma rádio ou zapeamos até encontrar um canal no controle remoto da TV. Quando encontramos uma programação interessante, nos habituamos a sintonizar nela, por rotina ou satisfação. Se estivermos sintonizados numa faixa, não percebemos o conteúdo das demais, apesar de sabermos que elas existem. É impossível estar sintonizado em todas as faixas ao mesmo tempo. Quando nos desinteressa ou não mais nos satisfaz, buscamos outras sintonias ou canais que despertem nosso interesse ou curiosidade.
A compreensão do que é o autointeresse varia de acordo com o modo de consciência em que se está.
O espectro da consciência tem diversos canais. Os diferentes interesses políticos e econômicos se refletem na percepção e no maior ou menor grau de consciência ecológica de cada ator.
Despertar o interesse por uma faixa de onda faz com que a consciência se sintonize e fixe a atenção nela. Há no planeta bilhões de indivíduos humanos, sintonizados em distintas faixas ou canais da consciência. A consciência é condicionada ou moldada por influências culturais, familiares, religiosas, do ambiente humano, social, natural. À medida que se amplia a consciência, passa-se a incluir outros aspectos no campo do interesse próprio. Percebe-se ou enxerga-se mais longe.
O autointeresse nos faz sintonizar a faixa da consciência. À medida que evolui do estágio egocêntrico para o etnocêntrico (o interesse do grupo racial ou social) para o mundicêntrico (o interesse planetário) ou o ecocêntrico, o campo do autointeresse se expande e torna-se mais inclusivo. (Atualmente inúmeros recursos visuais facilitam desenvolver essa perspectiva de escala a exemplo de http://www.youtube.com/watch?v=17jymDn0W6U e http://www.youtube.com/watch?v=Nspk_J9nzHk )
O autointeresse ampliado se aproxima ou identifica com o interesse ecológico. Enquanto a eco-ação focaliza o interesse da vida e de um planeta em condições de abrigá-la, a ego-ação enfatiza o interesse particularista, privado, pessoal. Quando a consciência focada no ego pessoal se amplia para a consciência ecológica, percebe-se que somos parte do ambiente e o que ocorrer com ele ocorrerá conosco.
A consciência social ajuda a avançar de um egoísmo estreito para o altruísmo da ação social. A consciência ecológica ajuda a avançar de um egoísmo míope e ignorante para uma forma mais ilustrada e esclarecida de egoísmo ou para um altruísmo que inclui as pessoas não-humanas (como os golfinhos, por exemplo). Com a consciência ecológica, a noção de autointeresse se alarga e expande. Ecologizar o interesse é uma atitude sábia para enfrentar a atual megacrise da evolução.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Evolução da consciência e crise climática
Três anos depois de ter lançado o livro Uma verdade inconveniente e o filme que ganhou o Oscar e lhe proporcionou o prêmio Nobel da paz, Al Gore lançou novo livro em 2009: Nossa Escolha - um plano para resolver a crise climática. [1] Al Gore considera que há um fio comum que liga três megacrises: a de segurança, a econômica e a climática. Tal fio é a dependência de petróleo e dos combustíveis fósseis. Para ele, a solução para todas essas crises é afastar-se da dependência dos combustíveis fósseis, desenvolvendo outras fontes de energia renováveis.
Para propor soluções para a crise climática, Al Gore mobilizou mais de 30 encontros com cientistas e especialistas de vários países e áreas temáticas. Seus insights e propostas são apresentados no livro, que é uma chamada à ação: não a ação individual, mas a que interfere nos processos políticos, na elaboração de leis e regulamentos e na construção de uma infraestrutura coletiva que dê respostas à crise climática. Assim por exemplo, ele denuncia a desatualização regulatória e problemas na gestão de energia que precisam ser corrigidos com prioridade.
Em 18 capítulos, o livro trata da crise atual, das fontes e de como usamos a energia, dos sistemas vivos, dos obstáculos que precisamos superar. Capítulos específicos tratam das florestas, do solo; da população, suas demandas e impactos ambientais e climáticos.
Al Gore afirma que já temos conhecimento e tecnologia para enfrentar a crise climática, mas que falta despertar a vontade coletiva. A importância da evolução da consciência é enfatizada: "As únicas soluções efetivas e significativas para a crise climática envolvem mudanças massivas no pensamento e comportamento humanos."
O livro mapeia três tipos de dificuldades associadas à mudança de pensamento que precisam ser superadas: em primeiro lugar, aponta que nosso cérebro foi programado para processar perigos como os que nossos antepassados precisaram enfrentar em sua luta pela sobrevivência. Entretanto, a crise climática não aciona as defesas emocionais que outros riscos despertam: ela é muito abstrata, exige muito conhecimento para ser percebida como uma ameaça, é grande demais e seu impacto parece remoto: “Seus efeitos são distribuídos pela Terra num padrão que torna difícil atribuir uma relação sem ambigüidades de causa e efeito entre o que está acontecendo com a Terra como um todo e o que está acontecendo com um indivíduo num determinado momento e lugar." Exemplifica ele que “é como não sentíssemos a dor de uma queimadura e por isso continuamos a ser queimados sem perceber.”
Em segundo lugar, e como dificuldades adicionais para a mudança de pensamento, nossos cérebros estão estressados pela overdose de estímulos bombardeada pela propaganda, conduzida a partir da neurociência pelos marqueteiros e publicitários, “os grandes usuários da nova pesquisa do cérebro.” Estresse, ansiedade e preocupação dificultam que se focalize a mente no longo prazo necessário para lidar com a mudança climatica, e fazem com que se priorize o imediato, como ocorre com quem precisa lutar para sobreviver no dia a dia.
Uma terceira dificuldade para a mudança de pensamento é o poder dos lobbies das empresas que lucram com o petróleo e o carvão. Repetindo a estratégia de companhias de cigarro, que negavam que o cigarro fizesse mal a saúde, as empresas de petróleo também fazem campanhas milionárias e doam recursos para eleger políticos. Dúvida e controvérsia são semeadas na mente das pessoas e enfraquecem a motivação para agir de forma convergente. Uma estratégia de desinformação influencia o público, que tende a não querer acreditar que exista tal ameaça. “O resultado de semear tais dúvidas e controvérsias é paralisar os processos políticos ou atrasá-los, no sentido de postergar ações que contrariem interesses da indústria do petróleo e do carvão.”Al Gore defende o ativismo nas bases para neutralizar essa ação financiada por interesses poderosos. Para tanto, criou uma instituição, a Aliança para a proteção climática WWW.climateprotect.org que divulga o tema na TV, rádio, internet, jornais, revistas.
Ele nos dá pistas de que investir na ecologia mental e da consciência, ecologizar a cultura e a comunicação, são abordagens estratégicas para dar respostas à crise climática, que traz consigo uma crise da evolução.
[1] Al Gore - Our Choice, a plan do solve the climate crisis, Rodale Inc., US, 2009; 416pgs.
Para propor soluções para a crise climática, Al Gore mobilizou mais de 30 encontros com cientistas e especialistas de vários países e áreas temáticas. Seus insights e propostas são apresentados no livro, que é uma chamada à ação: não a ação individual, mas a que interfere nos processos políticos, na elaboração de leis e regulamentos e na construção de uma infraestrutura coletiva que dê respostas à crise climática. Assim por exemplo, ele denuncia a desatualização regulatória e problemas na gestão de energia que precisam ser corrigidos com prioridade.
Em 18 capítulos, o livro trata da crise atual, das fontes e de como usamos a energia, dos sistemas vivos, dos obstáculos que precisamos superar. Capítulos específicos tratam das florestas, do solo; da população, suas demandas e impactos ambientais e climáticos.
Al Gore afirma que já temos conhecimento e tecnologia para enfrentar a crise climática, mas que falta despertar a vontade coletiva. A importância da evolução da consciência é enfatizada: "As únicas soluções efetivas e significativas para a crise climática envolvem mudanças massivas no pensamento e comportamento humanos."
O livro mapeia três tipos de dificuldades associadas à mudança de pensamento que precisam ser superadas: em primeiro lugar, aponta que nosso cérebro foi programado para processar perigos como os que nossos antepassados precisaram enfrentar em sua luta pela sobrevivência. Entretanto, a crise climática não aciona as defesas emocionais que outros riscos despertam: ela é muito abstrata, exige muito conhecimento para ser percebida como uma ameaça, é grande demais e seu impacto parece remoto: “Seus efeitos são distribuídos pela Terra num padrão que torna difícil atribuir uma relação sem ambigüidades de causa e efeito entre o que está acontecendo com a Terra como um todo e o que está acontecendo com um indivíduo num determinado momento e lugar." Exemplifica ele que “é como não sentíssemos a dor de uma queimadura e por isso continuamos a ser queimados sem perceber.”
Em segundo lugar, e como dificuldades adicionais para a mudança de pensamento, nossos cérebros estão estressados pela overdose de estímulos bombardeada pela propaganda, conduzida a partir da neurociência pelos marqueteiros e publicitários, “os grandes usuários da nova pesquisa do cérebro.” Estresse, ansiedade e preocupação dificultam que se focalize a mente no longo prazo necessário para lidar com a mudança climatica, e fazem com que se priorize o imediato, como ocorre com quem precisa lutar para sobreviver no dia a dia.
Uma terceira dificuldade para a mudança de pensamento é o poder dos lobbies das empresas que lucram com o petróleo e o carvão. Repetindo a estratégia de companhias de cigarro, que negavam que o cigarro fizesse mal a saúde, as empresas de petróleo também fazem campanhas milionárias e doam recursos para eleger políticos. Dúvida e controvérsia são semeadas na mente das pessoas e enfraquecem a motivação para agir de forma convergente. Uma estratégia de desinformação influencia o público, que tende a não querer acreditar que exista tal ameaça. “O resultado de semear tais dúvidas e controvérsias é paralisar os processos políticos ou atrasá-los, no sentido de postergar ações que contrariem interesses da indústria do petróleo e do carvão.”Al Gore defende o ativismo nas bases para neutralizar essa ação financiada por interesses poderosos. Para tanto, criou uma instituição, a Aliança para a proteção climática WWW.climateprotect.org que divulga o tema na TV, rádio, internet, jornais, revistas.
Ele nos dá pistas de que investir na ecologia mental e da consciência, ecologizar a cultura e a comunicação, são abordagens estratégicas para dar respostas à crise climática, que traz consigo uma crise da evolução.
[1] Al Gore - Our Choice, a plan do solve the climate crisis, Rodale Inc., US, 2009; 416pgs.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Ecologizar - ação para a era ecozóica
A Era Ecozóica
"Todos nós temos nosso trabalho particular. Temos uma variedade de ocupações. Mas além do trabalho que desempenhamos e da vida que levamos, temos uma Grande Obra na qual todos estamos envolvidos e ninguém está isento: é a obra de deixar uma era cenozóica terminal e ingressar na nova Era Ecozóica[1] na história do Planeta Terra. Esta é a Grande Obra". Thomas Berry
A história natural define grandes eras, períodos e épocas da evolução da Terra. São as eras geológicas, os longos lapsos de tempo, medidos em milhões de anos. Nos primórdios havia a matéria e posteriormente surgiu a vida, com a dominância de algumas espécies, e com tipos de climas diferenciados. Em algumas dessas etapas, a vida surgiu nos oceanos; em outras dominaram os dinossauros e mais recentemente tiveram lugar os grandes mamíferos. Em seguida, surgiu o homo sapiens; a consciência humana passa a ser forte vetor na evolução.
Na reflexão sobre a atual crise ecológica, é relevante suprir a lacuna conceitual referente a esses grandes ciclos do tempo e dar ressonância, divulgar e comunicar tais conceitos.
Estamos numa transição de eras, na qual ocorrem mudanças climáticas e extinções em massa de espécies. Transitamos da época recente (iniciada há 10.000 anos) do período quaternário da era cenozóica - iniciado há um milhão e 800 mil anos - para uma nova etapa: a era ecozóica. Estamos no início de uma era que depende de uma relação amadurecida com o meio ambiente, ancorada numa nova percepção e em nova consciência.
A era ecozóica está em construção. Como no mito hindu da dança do Deus Shiva, estamos num processo de destruição criadora; a era cenozóica está em destruição, em demolição.
Na era ecozóica considera-se que todo o universo é uma comunidade interativa de seres e sujeitos, com forte dimensão psíquico-espiritual; que o universo se encontra em evolução; que hoje a atividade humana é determinante nessa evolução; que são necessários um mito unificador para todas as culturas humanas e a espiritualidade ecológica. Mulheres, povos indígenas, a ciência, as tradições humanísticas e religiosas tem um papel importante para redefinir conceitos de valor, sentido e realização e para estabelecer normas de conduta para a Era Ecozóica. A era ecozóica depende da mudança de consciência e de comportamento humano.
Nessa era, a espécie humana toma consciência de pertencer à natureza e de, por meio de sua cultura, ciência e tecnologia, ser capaz de influir sobre o rumo da evolução, seja de forma construtiva, aprimorando geneticamente espécies existentes, seja de forma destrutiva, alterando o clima e os habitats, e causando assim a mortandade e a extinção em massa de espécies vegetais e animais.
A espécie humana toma consciência de que é gestora da evolução. A era ecozóica é construída a partir da ecologização de tudo e de todos: da consciência, do pensamento, das palavras e discursos, das atitudes e comportamentos individuais ou coletivos.
Ecologizar significa aplicar os princípios das ciências ecológicas às situações da vida individual e coletiva.
As ciências ecológicas deixaram de ser um campo das ciências biológicas e hoje se ramificam numa multiplicidade de campos, das ciências humanas e sociais, a partir de suas origens na biologia.
www.ecologizar.com.br
[1] A Era Ecozóica é um termo cunhado por Thomas Berry em 1992. Ele se refere à promessa de uma era na qual os seres humanos vivam em um relacionamento mutuamente reforçador com a comunidade maior dos sistemas vivos. É um conceito processual, algo a ser criado.
"Todos nós temos nosso trabalho particular. Temos uma variedade de ocupações. Mas além do trabalho que desempenhamos e da vida que levamos, temos uma Grande Obra na qual todos estamos envolvidos e ninguém está isento: é a obra de deixar uma era cenozóica terminal e ingressar na nova Era Ecozóica[1] na história do Planeta Terra. Esta é a Grande Obra". Thomas Berry
A história natural define grandes eras, períodos e épocas da evolução da Terra. São as eras geológicas, os longos lapsos de tempo, medidos em milhões de anos. Nos primórdios havia a matéria e posteriormente surgiu a vida, com a dominância de algumas espécies, e com tipos de climas diferenciados. Em algumas dessas etapas, a vida surgiu nos oceanos; em outras dominaram os dinossauros e mais recentemente tiveram lugar os grandes mamíferos. Em seguida, surgiu o homo sapiens; a consciência humana passa a ser forte vetor na evolução.
Na reflexão sobre a atual crise ecológica, é relevante suprir a lacuna conceitual referente a esses grandes ciclos do tempo e dar ressonância, divulgar e comunicar tais conceitos.
Estamos numa transição de eras, na qual ocorrem mudanças climáticas e extinções em massa de espécies. Transitamos da época recente (iniciada há 10.000 anos) do período quaternário da era cenozóica - iniciado há um milhão e 800 mil anos - para uma nova etapa: a era ecozóica. Estamos no início de uma era que depende de uma relação amadurecida com o meio ambiente, ancorada numa nova percepção e em nova consciência.
A era ecozóica está em construção. Como no mito hindu da dança do Deus Shiva, estamos num processo de destruição criadora; a era cenozóica está em destruição, em demolição.
Na era ecozóica considera-se que todo o universo é uma comunidade interativa de seres e sujeitos, com forte dimensão psíquico-espiritual; que o universo se encontra em evolução; que hoje a atividade humana é determinante nessa evolução; que são necessários um mito unificador para todas as culturas humanas e a espiritualidade ecológica. Mulheres, povos indígenas, a ciência, as tradições humanísticas e religiosas tem um papel importante para redefinir conceitos de valor, sentido e realização e para estabelecer normas de conduta para a Era Ecozóica. A era ecozóica depende da mudança de consciência e de comportamento humano.
Nessa era, a espécie humana toma consciência de pertencer à natureza e de, por meio de sua cultura, ciência e tecnologia, ser capaz de influir sobre o rumo da evolução, seja de forma construtiva, aprimorando geneticamente espécies existentes, seja de forma destrutiva, alterando o clima e os habitats, e causando assim a mortandade e a extinção em massa de espécies vegetais e animais.
A espécie humana toma consciência de que é gestora da evolução. A era ecozóica é construída a partir da ecologização de tudo e de todos: da consciência, do pensamento, das palavras e discursos, das atitudes e comportamentos individuais ou coletivos.
Ecologizar significa aplicar os princípios das ciências ecológicas às situações da vida individual e coletiva.
As ciências ecológicas deixaram de ser um campo das ciências biológicas e hoje se ramificam numa multiplicidade de campos, das ciências humanas e sociais, a partir de suas origens na biologia.
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[1] A Era Ecozóica é um termo cunhado por Thomas Berry em 1992. Ele se refere à promessa de uma era na qual os seres humanos vivam em um relacionamento mutuamente reforçador com a comunidade maior dos sistemas vivos. É um conceito processual, algo a ser criado.
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