segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Rumo a uma Civilização Hidrocêntrica


 O planeta Terra encontra-se numa transformação acelerada que coloca enormes desafios para a civilização e a sobrevivência humana. Grande parte desses desafios está relacionado com o ciclo da água: secas e estiagens, enchentes e inundações, ciclones e furacões, elevação do nível dos mares, derretimento de geleiras e dos polos. Torna-se um aprendizado essencial para a sobrevivência da espécie com menos sofrimentos e sobressaltos, compreender com essa substância se comporta diante das mudanças de temperatura, do frio e do calor, com a evaporação, a condensação, a precipitação; aprender continuamente sobre o ciclo integral da água; aprender como funcionam projetos e programas ambientais e florestais realizados com boas intenções, mas que após algum tempo mostram ter efeitos colaterais negativos; aprender a lidar com sabedoria com o ciclo integral da água

Isso se realiza com uma visão Hidrocêntrica, que coloca o ciclo da água como princípio organizador da vida e que pode guiar a adaptação a esse planeta em transformação acelerada.

A proposta de uma civilização Hidrocêntrica representa um salto evolutivo na forma como a humanidade se relaciona com o mundo.

O físico Marcelo Gleiser fala das feridas narcísicas da humanidade cada vez que a ciência mostra que não somos o centro do universo: o geocentrismo acreditava que a Terra era o centro de tudo. Copérnico tirou a Terra do centro e nele colocou o Sol, com o heliocentrismo. Depois, o próprio Sol foi entendido como uma estrela de 5ª grandeza numa periferia da Via Láctea. Outra ferida narcísica ocorreu com Darwin, que colocou o homem como mais uma espécie na evolução natural; outra ainda com Freud que mostrou que o mundo consciente é apenas uma pequena fração de um mundo maior que envolve impulsos inconscientes. Atualmente, o surgimento da Inteligência Artificial pode abrir uma nova ferida narcísica que desbanca de seus pedestais de conhecimento os especialistas e os cientistas, pois surge um agente capaz de fazer mais rápido e melhor uma coleta de informações e sua organização que eles levariam muito tempo para fazer, e com piores resultados. A autoestima humana sofre mais um golpe na presença desse ente capaz de vasculhar a infosfera e selecionar dados e informações com uma linguagem compreensível e amigável.

 No hidrocentrismo a água, em seu ciclo integral, torna-se o eixo central de valor, compreensão, ética e organização social. Essa perspectiva transcende e integra perspectivas anteriores: supera o antropocentrismo (homem no centro), que vê a natureza como recurso; aprofunda o biocentrismo (vida no centro), ao focalizar a água, elemento comum e constituinte de toda a vida; e enriquece o ecocentrismo (ecossistema no centro), revelando a dinâmica fluida que interliga todos os ecossistemas.

A abordagem Hidrocêntrica não cria novas feridas narcísicas. Ela tem o condão de dar um crédito ao ser humano e de revalorizá-lo. Somos uma gota minúscula, uma molécula num oceano de água. Essa visão completa verdades enunciadas de forma parcial, como por exemplo, a afirmativa bíblica de que tu és pó e ao pó voltarás. Essa é parte da verdade; a outra parte é que tu és água e no ciclo da água permanecerás. Se o corpo é cremado, sua água evapora e se integra à atmosfera. Se o corpo é enterrado, sua água se infiltra no solo, torna-se necrochorume e passa a fazer parte das águas subterrâneas. A abordagem hidrocêntrica também completa a conhecida frase do astrônomo e divulgador da ciência, Carl Sagan, de que somos poeira de estrelas, pois elementos químicos que compõem o corpo humano e a Terra — como carbono, nitrogênio e oxigênio — foram forjados em estrelas que explodiram. Sim, somos poeira de estrelas, mas também somos água de estrelas, cometas e outros corpos celestes. No corpo de um indivíduo, no ambiente ao redor ou nas galáxias do universo a água está presente.

A civilização Hidrocêntrica não é um retorno romântico ao passado, mas um salto evolutivo para a frente. É a aceitação de que somos, em essência, água que pensa. Ao colocar o ciclo integral das águas no centro do projeto civilizatório, estamos alinhando nossa cultura à lei mais fundamental do planeta: a lei do fluxo, da conexão e da transformação perpétua.

Cada ação de recuperação de nascente, de monitoramento da qualidade da chuva, de regeneração de manguezais, é um ato de construção do mundo hidrocêntrico. É a prática que precede e conforma a nova consciência. É uma gota que pinga e expande o oceano de conhecimento e das práticas sobre a água.

Nesta sociedade, valorizar a água em todas as suas formas – da mais salina à mais doce, da mais gasosa à mais sólida, da que corre no rio à que pulsa no coração – é valorizar o próprio princípio da vida. É reconhecer que cuidar da água é cuidar do fluxo consciente do qual somos parte, expressão e guardião. O hidrocentrismo não é mais uma visão de mundo: é a aceitação de que já vivemos com ela dentro e fora do corpo, e que nossa missão é aprender a habitar essa verdade com sabedoria, reverência e beleza.

A civilização Hidrocêntrica não venera a água apenas como um símbolo, mas a reconhece como a matriz física, química e simbólica da realidade, construindo sua cultura, economia, política e espiritualidade a partir dessa premissa radical.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

HIDROSOFIA

 A palavra água vem de origem latina (aqua), que originou palavras como aquário, aquático, aquoso etc. Palavras que designam lugares batizados pelos povos originários têm a partícula í , que se refere à água: Itororó é bica d’água; Pitangui, rio das crianças; Itamaraty, água entre pedras soltas; igarapé é caminho das canoas.

Muitas palavras em português se compõem com origens no grego: logos (estudo científico); nomos (lei ou regra); grafos (escrita); sofia (sabedoria). O vocábulo grego hidro designa a água. Dessa combinação derivam os vocábulos hidrologia, hidrografia, hidrometria, hidroponia, hidrofilia, hidrofobia, cada qual com seus significados. A hidrofobia (raiva humana) é uma doença viral aguda e mortal. A hidrofilia caracteriza as moléculas que têm afinidade com a água. Outras palavras podem ser compostas, em neologismos que servem para designar realidades e ideias ainda sem nome: hidrosofia, por exemplo.

Em sua origem no grego a palavra "Hidrosofia” significa sabedoria sobre a água (hidro - água; sofia - saber). Na Grécia Antiga Sofia era conhecida como a Deusa da sabedoria, da estratégia e da justiça.

A palavra não é amplamente utilizada em áreas acadêmicas e científicas; praticamente não existe quando se faz uma busca no Google ou em programas de inteligência artificial. Até o momento o vocábulo hidrosofia foi usado apenas para fazer a publicidade de uma combinação de nutrientes num copo d’água que teria o poder de fazer bem à saúde; numa obra de arte de um designer intitulada hydrosophy; e num jogo eletrônico. [1]

Hidrosofia: essa palavra que ainda não existe nos dicionários significa a sabedoria sobre a água. Tem um significado mais amplo e abrange um campo maior do que a hidrologia, o estudo científico da água.

Enquanto a hidrologia busca entender a água como fenômeno natural, a hidrosofia procura entender nossa relação com a água. Ambas são essenciais para enfrentar os desafios globais relacionados à água de maneira integrada. A diferença entre Hidrosofia e Hidrologia está na natureza e no propósito de cada abordagem, pois elas se referem a campos distintos, mas complementares, de compreensão das águas. A hidrosofia abarca o conhecimento geral e não apenas aquele produzido e comunicado por especialistas. Ela inclui além do conhecimento científico, outros modos de conhecer e de saber. Embora distintas, Hidrosofia e Hidrologia podem se complementar. A Hidrologia fornece os dados e as ferramentas científicas necessárias para compreender os sistemas hídricos. A Hidrosofia ajuda a contextualizar esses conhecimentos em uma perspectiva ética e cultural, orientando a tomada de decisões para um uso mais sustentável e harmonioso das águas.

 Diferenças Fundamentais entre Hidrosofia e Hidrologia

Aspecto

Hidrosofia

Hidrologia

Natureza

Filosófica e ética

Científica e técnica

Método

Reflexivo, simbólico e cultural

Experimental, analítico e matemático

Objetivo

Promover consciência e respeito

Solucionar problemas técnicos e entender fenômenos naturais

Foco

Relação humana-água

Comportamento físico da água

Aplicação

Ética ambiental, educação, artes

Gestão hídrica, infraestrutura, previsão de desastres

 A Hidrosofia é um conceito filosófico mais recente. Promove uma visão holística, conectando aspectos ecológicos, éticos, culturais e espirituais da água. Não se limita ao aspecto técnico ou científico, mas busca integrar valores, significados e práticas para um relacionamento mais respeitoso e sustentável com as águas. Tem como objetivo sensibilizar para a importância da água como um elemento vital e sagrado, inspirando atitudes mais conscientes e éticas em sua gestão e uso. É transdisciplinar e envolve filosofia, ética, antropologia, espiritualidade e artes. Promove reflexões sobre o papel simbólico dos rios em diferentes culturas e como isso pode influenciar práticas de conservação. Se não existe no vocabulário corrente, já acontecem na vida prática e no mundo real diversas situações em que a água é compreendida e cuidada com sabedoria seja entre os povos ancestrais que a sacralizam, seja em boas práticas contemporâneas.

               A Hidrosofia é o campo de conhecimento transdisciplinar que une a ciência da água à sua filosofia, sua ética, sua espiritualidade e suas expressões artísticas. É um caminho para sair da hidroalienação e alcançar a hidroconsciência.

              A cosmovisão hidrocêntrica propõe uma reorganização do pensamento, colocando a água, e não o humano, no centro do nosso entendimento do mundo. Mais do que um simples "recurso" a ser gerido, a água é compreendida como a base da vida, a força que modela paisagens, climas, culturas e economias. A perspectiva hidrocêntrica nos convida a ler a realidade a partir dos fluxos hídricos, questionando estruturas sociais e econômicas lineares e extrativistas que se chocam com a natureza cíclica e interconectada da água. Trata-se de uma virada filosófica: em vez de impormos nossa vontade aos ciclos da água, aprendemos a reordenar nossas sociedades a partir deles, honrando sua lógica de fluxo, permeabilidade e regeneração. 

A água merece ser vista a partir de diversos ângulos e de diversos campos do conhecimento humano, tais como as ciências, as artes, as tradições espirituais e sapienciais, a intuição e as filosofias. Eles contribuem para construir uma abordagem holística, numa variedade de modos de se abordar o tema: do teórico ao prático, do abstrato ao conceitual, num mosaico de percepções.

Na hidrosofia, os seres humanos são vistos como parte integrante do ciclo da água que circula por seus corpos. A água deixa de ser vista como um objeto externo ao corpo e passa a ser percebida como parte do sujeito que pensa sobre ela e a sente. O ser humano - corpo, mente, emoções, espírito e alma - é visto de forma integrada com os processos globais. Restabelecem-se os vínculos de comunhão entre o homo sapiens sapiens (o ser que sabe que sabe) e a água.

De onde vem a sabedoria do homo sapiens? Os dados coletados, a informação que é elaborada a partir deles, o conhecimento de como usar com prudência essas informações podem ser importantes e necessárias, porém não são suficientes para criar uma relação sábia do homo sapiens com a água. Em meio ao excesso de dados, informações, conhecimentos técnicos e científicos, procura-se alcançar a sabedoria hidrológica. Uma sabedoria que permita discernir para extrair da natureza o que é necessário para sustentar a vida e ao mesmo tempo garantir as normas, regras e prioridades que não prejudiquem a integridade dos ecossistemas e dos hidrossistemas. A intuição, o insight, as revelações surgem muitas vezes por meio da conexão direta com uma sabedoria universal existente na natureza, captada pelas antenas da percepção e da consciência humana.

A hidrosofia ultrapassa o racionalismo, o intelectualismo e o cientificismo, que não têm sido capazes de evitar a exaustão e os maus tratos que a água recebe na abordagem estritamente utilitarista. Ela se abre em direção à experimentação comunitária e social, compreendendo a metamorfose que está em curso no planeta. De certo modo a hidrosofia resgata as relações com a água desenvolvidas por alguns povos originários, como os maoris na Nova Zelândia, que a consideravam sagrada e um ente que não é apenas um objeto, mas uma pessoa.

Abordar a água pelo ângulo da hidrosofia abre o olhar para outras dimensões e modelos mentais e para outras possibilidades de lidar e se relacionar com ela de modo amigável, harmonioso e orgânico.

Uma abordagem abrangente precisa considerar as questões de Gênero e Água.  Em muitos locais, a responsabilidade pela coleta de água recai sobre as mulheres e meninas. A escassez hídrica impõe a elas uma carga adicional de trabalho, tempo e riscos à segurança (como longas caminhadas em áreas isoladas). Além disso, a falta de saneamento adequado afeta desproporcionalmente a saúde e a dignidade das mulheres. 

Quando se consolidar como um campo dos saberes, a hidrosofia catalisará os movimentos na busca de uma hidrologia integral e transdisciplinar, com sabedoria.

Nesse sentido, a hidrosofia é uma virtualidade, uma meta, um objetivo a ser buscado e alcançado, por meio de uma abordagem que faça uso dos grandes modos de apreensão da realidade.

[1] No jogo Divinity: Original Sin 2. "Hydrosofista" se refere a uma habilidade de personagens que utilizam poderes de cura e controle da água. Nesse jogo as habilidades hidrosóficas são magias que envolvem controle de elementos aquáticos para curar aliados ou afetar o terreno ao redor.

 


sábado, 7 de fevereiro de 2026

A Era Hidrosófica

 

No crepúsculo turbulento da Era Cenozoica, marcada pelo apogeu e, agora, pela crise dos mamíferos, vislumbra-se um novo horizonte evolutivo para a história natural: a Era Hidrosófica.

Cientistas, visionários e pioneiros já imaginaram vários cenários para o que seria a próxima era na história natural.  Três deles se voltavam para o mundo exterior: a era ecozóica (Swimme e Berry), a era tecnozóica (Bell) e a era cosmozóica ou eremozóica (E.O.Wilson). Outros três cenários se voltavam para o mundo interior: a era noológica, a era subjetiva e a era espiritual (Sri Aurobindo).

Estaremos no rumo de uma Era Hidrosófica quando a espécie humana evoluir de sua fase infantil, que não mede as consequências de seus atos, evoluir de sua adolescência e com espasmos de comportamento de delinquência juvenil que produz a atual fase de falência, crise e emergência hídrica, a fase de hidroalienação e de hidro ignorância. É a etapa em que a espécie humana, após o tumultuado período de adolescência geológica, atinge uma possível maturidade planetária 

 O final da era cenozoica (a dos mamíferos) e o Antropoceno serão lembrados como a época da grande cegueira: a ilusão de separação.  A sociedade antropocêntrica tratou a água em suas partes — como recurso hídrico a ser explorado, como receptor de efluentes, como obstáculo a ser canalizado —, fragmentando o ciclo e quebrando as conexões vitais entre oceano, nuvem, rio, aquífero e organismo. A crise climática, a escassez, a poluição e a perda de biodiversidade são sintomas desta desconexão.

A Era Hidrosófica não representa meramente uma nova era geológica, mas uma transição civilizatória profunda, o ponto de inflexão onde a humanidade escolhe finalmente alinhar sua cultura, economia e espiritualidade ao princípio organizador mais fundamental do planeta: o ciclo integral da água. É a era em que a Sophia (sabedoria) encontra o Hidros (água).

A Era Hidrosófica nasce do reconhecimento, forjado no sofrimento e na ciência, de que toda a vida, incluindo a humana, é um fenômeno hídrico. O fracasso do projeto de dominação torna-se a semente da sabedoria da integração.

Na Era Hidrosófica, a civilização se reorganiza:

·         Cidades são esponjas vivas, infraestruturas azuis-verdes que captam, limpam, retardam e celebram a água em seu território.

·         A produção de alimentos sincroniza-se com os ciclos de umidade e os rios voadores, praticando uma agro hidrologia reverente.

·         A ciência converte-se em Hidrosofia Aplicada, uma prática transdisciplinar de escuta e diálogo com a inteligência do ciclo.

·         O sucesso individual e coletivo é medido pela contribuição à saúde hídrica local e planetária.

O advento da Era Hidrosófica representa mais do que uma mudança de hábitos. É uma transição de percepção e de consciência: de nos vermos como senhores de um recurso hídrico, para nos entendermos como expressões conscientes e responsáveis do próprio ciclo da água.

A Era Hidrosófica não é um destino garantido, mas um cenário possível e necessário, forjado na forja das crises atuais. Nesta era, a humanidade não será a espécie que dominou a água, mas aquela que, finalmente, aprendeu a escutá-la, honrá-la e fluir com ela — reconhecendo, por fim, que a sabedoria da água é a sabedoria da própria vida, e que nosso futuro é inseparável do futuro de cada gota, em cada estado, em cada canto do planeta vivo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

MINUTA DO PLANO ÁGUA 2027-2030: MUTIRÃO PELAS ÁGUAS DO BRASIL

 Pedi ao DeepSeek para minutar um PLANO ÁGUA: MUTIRÃO PELAS ÁGUAS DO BRASIL, inspirado no modelo do Plano Safra e editei a resposta, que segue abaixo.

Título: Plano Água 2027-2030 – Água: Vida e Futuro para o Brasil

Slogan: União pelas águas do Brasil: cuidar, proteger e usar com sabedoria.

Data de Lançamento: [Data Simbólica, ex: 22 de março de 2027 - Dia Mundial da Água]
Local: a definir
Autoridade Anunciante: Presidente da República e estrutura ministerial que vier a ser designada como gestora do Plano.

1. Introdução e Justificativa:
O Governo Federal lança, em um esforço conjunto e inédito, o Plano Água 2027-2030, um marco para a gestão integral e sustentável das águas do país. Inspirado no espírito de cooperação do Plano Safra, este Plano convoca um verdadeiro “Mutirão das Águas”, mobilizando a União, Estados, Municípios, setor produtivo, organizações da sociedade civil e cada cidadão brasileiro. Com uma alocação inicial de R$ 300 bilhões para o quadriênio, o Plano tem como missão garantir água em quantidade e qualidade para todos os usos, hoje e para as futuras gerações, promovendo segurança hídrica, justiça social, resiliência climática e desenvolvimento econômico responsável.

2. Objetivos Estratégicos:

  • Universalizar o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário.

  • Proteger e recuperar nascentes, mananciais, matas ciliares e bacias hidrográficas.

  • Aumentar a resiliência a eventos extremos (secas e inundações).

  • Promover o uso eficiente e racional da água em todos os setores (urbano, industrial, agrícola).

  • Fortalecer a governança participativa das águas, com integração de políticas públicas.

3. Pilares e Linhas de Ação Principais (semelhantes às “linhas de crédito” do Plano Safra):

Pilar I – Crédito e Financiamento para a Gestão das Águas:

  • Água para Todos (Saneamento Básico): Ampliação massiva de recursos para estados e municípios cumprirem as metas do Marco Legal do Saneamento, com foco em redução de perdas e tratamento de esgoto.

  • Produtor de Água: Linha de crédito especial, com juros reduzidos, para propriedades rurais que adotem práticas de conservação de solos e água, recuperação de nascentes e APPs, e implementem sistemas de reuso e captação de água da chuva. Condição obrigatória: adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) e comprovação de outorga do uso da água (onde exigível).

  • Indústria +Eficiente: Financiamento para modernização de processos industriais, implantação de sistemas de recirculação e reuso de água de última geração, visando à redução do consumo hídrico.

  • Águas Resilientes (Infraestrutura Crítica): Recursos para construção e modernização de barragens, sistemas de dessalinização (no Nordeste), canais, adutoras de emergência e obras de macrodrenagem urbana.

Pilar II – Incentivo à Sustentabilidade e Inovação:

  • Taxas Diferenciadas: Juros ainda menores para projetos que integrem múltiplos benefícios (ex.: saneamento básico + geração de energia de biogás; irrigação de precisão + energia solar).

  • Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Hídricos: Estímulo financeiro direto a comunidades e proprietários rurais que conservam mananciais, vinculado a resultados mensuráveis de qualidade e quantidade de água.

  • InovaÁgua: Programa unificado de apoio a startups, pesquisa e desenvolvimento de tecnologias nacionais para monitoramento (sensores, satélites), tratamento de efluentes e agricultura de baixo consumo hídrico.

  • Reúso e Água de Chuva: Financiamento específico para sistemas de aproveitamento de águas pluviais e de reúso não potável em condomínios, indústrias e equipamentos públicos.

Pilar III – Fortalecimento Institucional e Governança:

  • Pacto pelas Bacias Hidrográficas: Apoio técnico e financeiro aos Comitês de Bacia, com fortalecimento de sua capacidade de planejamento, fiscalização e cobrança pelo uso da água.

  • Modernização da Gestão: Unificação e digitalização dos sistemas de outorga e de dados hidrológicos em plataforma nacional acessível.

  • Regulamentação e Monitoramento: Exigência de planos de uso eficiente para grandes consumidores e implementação de medidores inteligentes em escala.

Pilar IV – Segurança Hídrica e Adaptação Climática:

  • Alerta Precoce e Preparação: Financiamento para sistemas de monitoramento meteorológico e hidrológico, e para planos municipais de contingência para secas e cheias.

  • Infraestrutura Verde: Incentivo a soluções baseadas na natureza, como a restauração de wetlands e a criação de parques lineares para retenção de água e redução de enxurradas.

  • Conviver com o Semiárido: Ampliação de programas de cisternas e tecnologias sociais de armazenamento, associadas à assistência técnica para uma agricultura adaptada.

4. Medidas Transversais e Inovações do Plano:

  • Integração de Políticas: O Plano Água será obrigatoriamente considerado no planejamento de obras de infraestrutura, zoneamento urbano e licenciamento ambiental, bem como na hidratação de todas as politicas públicas intervenientes com a questão da água.

  • Educação Hídrica: Componente educativo obrigatório em todos os projetos financiados, com campanhas nacionais de conscientização e de hidroalfabetização.

  • Transparência Radical: Todos os contratos, repasses e dados de monitoramento serão públicos em portal dedicado.

  • Simplificação do Acesso: Unificação de procedimentos para municípios e produtores acessarem as diferentes linhas do Plano.

5. Compromisso Nacional:
Com o slogan “União pelas águas do Brasil: cuidar, proteger e usar com sabedoria”, o Plano Água 2027-2030 reconhece a água como o recurso estratégico mais vital para o desenvolvimento nacional. Este não é um plano apenas do governo, mas um pacto da sociedade brasileira. Ao mobilizar todos os setores neste “Mutirão das Águas”, o Brasil se coloca na vanguarda da construção de um futuro justo, próspero e sustentável, onde a gestão responsável da água seja o alicerce para o crescimento e a qualidade de vida de todos os brasileiros.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Tipos de comentários sobre uma postagem que trata de desigualdades e emissão de carbono- entendendo a noodiversidade

 Com base na postagem sobre a desigualdade nas emissões de carbono, li  os comentários e pedi ao DeepSeek que os organizasse, com o objetivo de entender melhor o que se passa na cabeça dos internautas, seus preconceitos, vieses, crenças ideológicas, percepções de mundo. 

A classificação do DeepSeek segue abaixo podem ser organizados e classificados em diferentes tipos de resposta ao tema. A maioria dos comentários não contesta diretamente os dados, mas apresenta reações que vão desde a negação até a distração do ponto central.

Abaixo, a classificação:

1. Negação da Premissa ou Inversão da Culpa

Comentários que rejeitam a ideia de que os ricos poluem mais, atribuindo maior responsabilidade ambiental aos mais pobres.

  • Luciano Sulzbach: "Minha experiência mostra que quanto mais pobre menor a consciência ambiental."

  • Bruno Portugal: "Ainda não vi rico colocando fogo no mato ou no lixo, cortando árvore..."

  • Américo De Castro Freitas: "Pobre é quem mais polui com o gás metano, proveniente do consumo descontrolado de feijoadas."

2. Questionamento da Metodologia ou da Fonte

Focam em duvidar do estudo ou pedir provas, sem necessariamente discutir o mérito da questão da desigualdade.

  • Robson Rojas Andrade: Não encontrou o estudo e pede o link.

  • Guilherme Port: "Fonte da informação pra provar."

  • Marcelo de Oliveira: Questiona se o estudo considera a pessoa física ou o conglomerado de empresas, argumentando que a comparação é tendenciosa.

3. Contra-Argumentação Lógica ou Econômica

Tentam refutar a tese com base em raciocínios sobre consumo, produção ou economia.

  • Silvio Licht Ahmad: Argumenta que redistribuir riqueza não reduziria emissões, apenas as redistribuiria, e atribui o debate à "inveja do marxismo".

  • Cleimar Picinini: Diz que o rico emite mais porque gera empregos e indústrias, e sugere que fechar tudo resolveria o problema (tom irônico).

  • Jean Abelhas Nativas Abena: "Então pro CARBONO é melhor que todos sejam POBRES?" (redução ao absurdo).

4. Distração ou Foco em Outros Fatores

Reconhecem a poluição, mas desviam o debate para outras causas ou soluções, ignorando o eixo da desigualdade.

  • Rodrigo Bini: "Os dois poluem... Se cada cidadão plantasse uma árvore ajudaria."

  • Luan Estrela: "As árvores gostam de carbono, o problema é o governo arrancando elas."

  • AC Maltez: Menciona as queimadas na África para caçar ratos.

5. Ironia, Sarcasmo ou Minimização do Problema

Tratam a questão com deboche ou como algo irrelevante.

  • Valmir Rubio: "Será que é porque os ricos comem mais, e aí peidam mais?"

  • Luciano Naidon: "Venezuela é carbono zero então! 🤣🤣🤣"

  • Mateus Calegari: "Nunca vi uma postagem tão inútil."

  • Yamete Kudasai: Sugere, de forma claramente irônica e extrema, "exterminar os pobres" para resolver problemas sociais e ambientais.

6. Teorias ou Ataques Ideológicos

Enxergam a informação como parte de uma agenda política ou doutrinária.

  • Augusto Santos: "Certeza é página PTista que quer é aprovar taxar os ricos."

  • Jean Abelhas Nativas Abena: "A Esquerda tem muita criatividade e, POUCA RESPONSABILIDADE!"

  • Luiz Roberto Tourinho Costa: "Doutrinação subliminar?!!"

  • Paulo Durães: "Sempre a mesma história colocar um grupo contra o outro!"

  • Silva Gomes: "dividir para conquistar" (insinuando que é uma tática manipulativa).

7. Comentários que Concordam ou Expandem o Debate (MINORIA)

Poucos comentários aceitam a premissa ou a ampliam para outros aspectos da justiça.

  • Leandro Bernardinelli: "O capitalismo mostra que eles, os capitalistas, são os maiores causadores da aceleração do aquecimento global."

  • Bia Vedovello: Oferece um contra-exemplo baseado em experiência prática sobre coleta seletiva, mas não nega diretamente a tese das emissões de carbono.

  • Luiz Bettoni Reflorestar: "Sim com certeza deve ser verdade... já passou da hora de todos pagarem um X pelas suas emissões..." (Concorda e propõe ação).

  • Jairo Maidana Paiva: Critica o foco em "justiça climática" em detrimento de justiça social e saúde, questionando a falácia de que "se todos ficarem pobres diminui a emissão". É uma crítica à abordagem, mas parte do princípio de que a disparidade existe.

8. Comentários Neutros ou de Dúvida Genérica

  • Victor Coutinho: "depende."

  • Sandro Jose: Pede mais especificidade à página: "onde e com o uso de quê!"

Resumo do Padrão das Respostas:
A grande maioria dos comentários reage de forma defensiva ou de negacionismo ao vínculo entre riqueza e emissões. Predominam estratégias como:

  1. Mudar o assunto: da emissão de CO2 (invisível e ligada a consumo de energia e bens) para poluição visível (lixo, queimadas).

  2. Atacar o mensageiro: desqualificar a fonte como "marxista", "esquerdista" ou "doutrinadora".

  3. Apelar para a experiência anedótica: "nunca vi um rico fazendo X", contrapor à realidade local.

  4. Redução ao absurdo: distorcer a conclusão para "então querem que todos sejam pobres".
    Poucos comentários engajam diretamente com o cerne do argumento da justiça climática — a ideia de que quem mais causou o problema tem maior responsabilidade em resolvê-lo. O debate é majoritariamente desviado para questões ideológicas e de culpabilidade imediata e visível.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Tipos de comentários nas redes sociais sobre o Relatório da ONU sobre falência hídrica

Abaixo está uma listagem categorizada dos principais padrões e tipos de comentários encontrados nas redes sociais em resposta a um relatório da ONU que declara uma situação de *"falência hídrica"* (em vez de apenas crise ou emergência). 
Esses comentários refletem um amplo espectro de reações, desde o técnico-científico até o político e filosófico. Foram organizados pelo DeepSeek em resposta a uma demanda detalhada que formulei à IA.
 --- ### 1. *Críticas à ONU e Questionamento de sua Credibilidade* - "A ONU sempre alarmista, criando pânico para justificar mais controle global." - "A mesma ONU que não resolve guerras agora diz que a água acabou? Falta credibilidade." - "É só mais um relatório para pressionar países em desenvolvimento e vender soluções caras." - "Antes a crise era climática, agora é hídrica. Mudam o foco para manter a indústria do medo." - "A ONU deveria focar em fazer os países ricos cumprirem metas, não em assustar a população."
 ### 2. *Ênfase na Importância das Florestas e Biomas* - "Enquanto desmatarem Amazônia, Cerrado e outros biomas, a água não vai se recuperar. Floresta é água!" - "O problema não é falta de chuva, é falta de solo com vegetação para reter e infiltrar a água." - "Preservar nascentes e matas ciliares deveria ser prioridade absoluta, mas os governos ignoram." - "Sem florestas, não tem ciclo da água. Simples assim. Estamos secando o nosso próprio abastecimento." - "O agro brasileiro depende da água das florestas que está destruindo. É um tiro no pé."
 ### 3. *Visão Filosófica/Apocalíptica: Falência da Civilização, não da Água* - "A água não vai falir, a humanidade que vai. O planeta segue sem nós." - "Isso não é falência hídrica, é falência ética e de gestão. A água continua, nós que não nos adaptamos." - "A natureza se regenera, a civilização humana que é frágil e insustentável." - "A água vai sobreviver à humanidade. O relatório deveria se chamar 'falência da nossa capacidade de conviver com os recursos'." - "É o colapso do modelo civilizatório ocidental, baseado em extração infinita." 
 ### 4. *Comentários Técnico-Científicos sobre Gestão e Ciclo da Água* - "Falam em falência, mas não citam a necessidade de investimento maciço em saneamento, perdas na distribuição e reúso." - "Precisamos entender o ciclo integral da água: captação, tratamento, uso, reúso, devolução limpa ao meio ambiente." - "O problema é a gestão fragmentada. Água não é setorial, é um recurso que conecta todos os setores." - "Falta visão sistêmica: solo degradado = menos infiltração = menos recarga de aquíferos = menos água nos rios." - "Além das mudanças climáticas, há a sobre-exploração de aquíferos e a poluição de fontes. É uma crise de qualidade e quantidade."
 ### 5. *Culpabilização de Setores e Agentes Específicos* - "O agronegócio consome 70% da água doce do mundo. Isso é que é falência." - "Enquanto as indústrias poluidoras não forem responsabilizadas, nada muda." - "A culpa é dos governos que permitem a privatização da água e a gestão predatória." - "Turismo em regiões áridas, campos de golfe no deserto, água engarrafada… isso mostra a desigualdade no acesso." 
 ### 6. *Negacionismo ou Minimização do Problema* - "Sempre houve secas e enchentes. Isso é natural, não 'falência'." - "Mais uma narrativa para impor restrições à população comum, enquanto os grandes poluidores continuam." - "Se há falência hídrica, por que ainda abrimos torneira e temos água?" - "É exagero. A tecnologia resolverá, como sempre resolveu." 
 ### 7. *Cobrança por Ações Práticas e Soluções* - "Em vez de só divulgar relatórios catastróficos, a ONU deveria propor soluções aplicáveis e financiá-las." - "Precisamos de políticas públicas sérias: dessalinização, captação de água da chuva, educação hídrica desde a escola." - "Onde está o investimento em infraestrutura hídrica? Só discurso não resolve." - "Falta coragem para enfrentar os grandes usuários e poluidores." 
 ### 8. *Comentários Locais/Regionais (Exemplo: Brasil)* - "No Brasil, temos água abundante, mas mal distribuída e mal gerida. Falência de gestão, não de recurso." - "Enquanto o Sudeste sofre com seca, o Norte tem inundações. Precisamos de integração e planejamento." - "Aqui em São Paulo já vivemos 'falência' em 2014, mas depois melhorou. É cíclico, mas está piorando." - "O Cerrado é a caixa d'água do Brasil e está sendo devastado. Sem ele, os rios secam." 
 ### 9. *Teorias Conspiratórias e Geopolítica* - "É preparação psicológica para a guerra pela água. Quem controla a água controla o mundo." - "Interesses escusos por trás: querem vender água como commodity e criar um mercado global." - "A ONU serve aos países ricos que já têm estoques de água e tecnologia." - "É uma narrativa para justificar a migração em massa e o controle populacional." 
 ### 10. *Apelo à Conscientização Individual e Coletiva* - "Cada um precisa fazer sua parte: reduzir consumo, evitar desperdício, cobrar políticas públicas." - "A educação ambiental é a base. Sem mudança cultural, não há relatório que salve." - "Precisamos repensar nosso estilo de vida. Água é vida, não commodity." - "União entre ciência, governos e sociedade civil é a única saída." ---
 ### *Padrão Geral Observado:* Os comentários tendem a se polarizar entre: 1. *Aceitação da gravidade e demanda por ação* (com diferentes focos: florestas, gestão, justiça social). 2. *Ceticismo em relação às instituições* (ONU, governos, elites), visto como parte do problema ou como agentes de alarmismo infundado. 3. *Visão sistêmica vs. visão simplista* — enquanto alguns entendem a complexidade do ciclo hidrológico e suas interfaces com clima, solo e sociedade, outros reduzem a “falência” a um único fator (ex.: falta de chuva) ou a consideram um exagero. 
 Esses padrões refletem não apenas a percepção sobre a crise hídrica, mas também a desconfiança em instituições globais, a divisão entre visões antropocêntricas e ecocêntricas, e o embate entre narrativas científicas e políticas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Minuta de proposta para transição energética

 Encomendei ao DeepSeek: Escreva proposta de resolução a ser submetida, em caráter prioritário, ao Conselho Nacional de Política Energética - CNPE, com a finalidade de estabelecer diretrizes para elaboração do mapa do caminho para uma transição energética justa e planejada, com vistas à redução gradativa da dependência de combustíveis fósseis no País, e de propor mecanismos de financiamento adequados à implementação da política de transição energética, inclusive a criação do Fundo para a Transição Energética, cujo financiamento será custeado por parcela das receitas governamentais decorrentes da exploração de petróleo e gás natural, a ser elaborada pelo Ministério de Minas e Energia, o Ministério da Fazenda, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e a Casa Civil da Presidência da República.


O DeepSeek  redigiu uma PROPOSTA DE RESOLUÇÃO Nº XX/CNPE

O CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA ENERGÉTICA - CNPE, no uso de suas atribuições legais, e

CONSIDERANDO:

a) A necessidade urgente de o País alinhar sua política energética aos compromissos internacionais assumidos no Acordo de Paris e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU;
b) A vulnerabilidade econômica e social decorrente da excessiva dependência de combustíveis fósseis em nossa matriz energética;
c) A oportunidade histórica de aproveitar nossos recursos energéticos renováveis abundantes (hídrica, solar, eólica, biomassa) para promover desenvolvimento sustentável, soberania energética e geração de empregos de qualidade;
d) O imperativo ético de conduzir a transição energética de forma justa e planejada, garantindo proteção social a trabalhadores e comunidades afetadas, em especial nos territórios historicamente impactados pela cadeia fóssil;
e) A importância de se criar fontes de financiamento estáveis, previsíveis e adequadas à escala do desafio da transição;
f) A necessidade de uma governança robusta e participativa para coordenar esta transformação estrutural da economia brasileira;

RESOLVE:

Art. 1º Ficam estabelecidas as seguintes Diretrizes para a Elaboração do Mapa do Caminho para uma Transição Energética Justa e Planejada:

I. Objetivo Central: Reduzir gradativa e sistematicamente a participação de combustíveis fósseis na matriz energética nacional, estabelecendo metas setoriais intermediárias e de longo prazo (2030, 2035, 2040, 2045, 2050), alinhadas com a meta de neutralidade climática.

II. Princípios Norteadores:
a) Justiça Socioeconômica e Energética: Priorizar políticas que reduzam desigualdades, assegurem acesso universal e de qualidade à energia, e promovam inclusão produtiva.
b) Planejamento Participativo e Territorializado: Envolver Estados, municípios, comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, trabalhadores, setor empresarial e academia no desenho e implantação das políticas.
c) Segurança Energética e Resiliência: Garantir a confiabilidade e acessibilidade do suprimento energético durante a transição.
d) Inovação Tecnológica e Desenvolvimento de Cadeias Produtivas Nacionais: Fomentar pesquisa, desenvolvimento e industrialização verde, com foco em energias renováveis, armazenamento, eficiência energética e hidrogênio verde.

III. Eixos Estratégicos do Mapa do Caminho:
a) Eletrificação Sustentável e Renovável: Acelerar a expansão de fontes renováveis não-hidrelétricas (solar, eólica, biomassa moderna), integrá-las ao sistema com redes inteligentes e armazenamento, e promover a eletrificação de transportes, indústria e aquecimento.
b) Eficiência Energética como Recurso Prioritário: Estabelecer metas ousadas de redução de intensidade energética em todos os setores, com programas específicos para indústria, edificações e transportes.
c) Combustíveis Sustentáveis: Expandir e modernizar a produção de biocombustíveis (etanol, biodiesel, bioquerosene, biogás/biometano) e desenvolver outras rotas tecnológicas (e-combustíveis, hidrogênio).
d) Transição Justa para Trabalhadores e Territórios: Criar programas de requalificação profissional, incentivo à realocação em cadeias verdes, e planos de desenvolvimento econômico regional para áreas dependentes de fósseis.
e) Modernização Regulatória: Adaptar o marco regulatório dos setores de energia, mineração e infraestrutura para incentivar investimentos em transição e descentralização.

Art. 2º Fica autorizada a criação do Fundo para a Transição Energética (FTE), instrumento financeiro de caráter permanente, vinculado ao Ministério de Minas e Energia, com as seguintes características:

I. Finalidade: Financiar projetos, programas, pesquisa e desenvolvimento, e políticas públicas voltadas para a implementação do Mapa do Caminho da Transição Energética Justa, com foco em:
a) Investimentos em energias renováveis e infraestrutura de suporte.
b) Programas de eficiência energética.
c) Pesquisa, desenvolvimento e inovação em tecnologias de energia limpa.
d) Programas de transição justa (requalificação, apoio a municípios, diversificação econômica).
e) Mitigação de impactos socioambientais da transição.

II. Fontes de Recursos:
a) Parcela das Receitas Governamentais da Exploração de Petróleo e Gás Natural: Destinar ao FTE um percentual (a ser definido em lei complementar) das receitas de royalties, participações especiais e outros tributos federais decorrentes da produção de petróleo e gás.
b) Recursos do Orçamento Geral da União.
c) Doações nacionais e internacionais.
d) Retorno financeiro de aplicações e projetos apoiados.
e) Outras fontes a serem definidas em lei.

III. Governança: O FTE será gerido por um Comitê Gestor paritário, com representantes dos Ministérios de Minas e Energia (presidente), da Fazenda, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, da Ciência, Tecnologia e Inovações, da Casa Civil, além de representantes da sociedade civil, do setor empresarial e dos trabalhadores, em modelo a ser regulamentado.

Art. 3º Fica determinado que o Mecanismo de Financiamento da Transição Energética compreenderá, além do FTE:

I. Linhas de crédito especiais e garantias em bancos públicos (BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal).
II. Incentivos fiscais e creditícios verdes, vinculados a critérios socioambientais rigorosos.
III. Atração de investimento privado nacional e estrangeiro para projetos sustentáveis.
IV. Instrumentos de mercado, como títulos verdes (green bonds) e mecanismos de precificação de carbono.

Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5º Ficam encarregados da elaboração do Mapa do Caminho e dos projetos de lei e atos normativos necessários à implementação desta Resolução, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, em regime de colaboração:

I. O Ministério de Minas e Energia (coordenador);
II. O Ministério da Fazenda;
III. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima;
IV. A Casa Civil da Presidência da República.

Os referidos órgãos deverão apresentar relatórios trimestrais de andamento ao CNPE e promover ampla consulta pública durante o processo de elaboração.


JUSTIFICATIVA (para acompanhar a proposta):

A presente proposta visa institucionalizar e acelerar a transição energética brasileira, transformando um desafio global em uma oportunidade nacional de desenvolvimento. Ao vincular o financiamento da transição a uma parcela das receitas dos fósseis, cria-se um ciclo virtuoso: os recursos finitos da era do petróleo financiam a infraestrutura permanente da energia limpa. O caráter "justo" é o pilar central, reconhecendo que a transição só será bem-sucedida e legítima se for inclusiva. A governança multissetorial e a participação social garantem robustez e adesão às políticas. A medida posiciona o Brasil na vanguarda da economia de baixo carbono, protegendo nossa competitividade futura, gerando empregos e cumprindo nossas responsabilidades climáticas. A urgência do tratamento prioritário se justifica pela janela de oportunidade tecnológica e industrial que se fecha rapidamente no cenário global.