terça-feira, 4 de junho de 2024

O Álbum Oriente-Ocidente, integração de culturas no Jnana Mandiram em Brasília

Em maio de 2024 foi celebrado em Brasilia. o 50o Aniversário de fundação do templo Jnana Mandiram – Templo de Sabedoria.




Realizou-se uma ampla programação, com a presença de uma delegação de 5 indianos, com palestras aulas de yoga, seminários, aulas de sânscrito, cânticos e meditação.

No domingo, 26 de maio, Maurício Andrés deu uma palestra sobre Bharat, Terra de inspirações, na qual apresentou resultados dos estudos e pesquisas de quase cinco décadas que ele e seus familiares realizaram na India.

Foram três os resultados ali apresentados: o álbum Oriente Ocidente, integração de culturas, de Maria Helena e Eliana Andrés; o livro Tesouros da Índia para a civilização sustentável, de Mauricio; e o livro Pepedro nos caminhos da India, de Aparecida Andrés, apresentado pela autora, e com ilustrações de Maria Helena Andrés.




Nesse blog apresentamos imagens do álbum Oriente Ocidente - integração  de culturas, concluído em 1984.

Os desenhos em nanquim são de Eliana Andrés.






As  10 ilustrações seguintes  são de Maria Helena Andrés.











                 


terça-feira, 14 de maio de 2024

Maria Helena Andrés e a ecologia integral


Em sua origem, a ecologia estudava os bichos, as plantas e sua interação com o ambiente. Depois  ela se ampliou e permeou muitos outros campos do conhecimento humano.  Incluiu a inserção humana na natureza, assim como  os aspectos  corporais, mentais, emocionais e espirituais do ser humano e sua vida cultural e social, coletivamente. 

Cada artista tem  sua abordagem para as questões ecológicas. Os artesãos trabalham com a  cerâmica de barro, a cestaria com  fibras vegetais; a joalheira, com metais. Indígenas usam pigmentos naturais na pintura corporal. Artistas reciclam materiais ou usam terra, galhos de árvores e outros objetos da natureza em suas obras. Outros artistas pintam jardins, flores, água e paisagens naturais. 

Maria Helena Andrés expressou em sua obra diversas facetas da ecologia. A abordagem da ecologia vegetal começa nos anos 1940 e estende-se até a década de 2020.

Parque Municipal de Belo Horizonte,  aquarela, 1944.

Flor do cerrado. bico de pena. Diamantina, 2022.

Ela desenhou temas da  ecologia humana e das pessoas,

Bebê,  aquarela. 1950. 


a ecologia cultural,

Festa de São João, óleo sobre tela, 1954.


 a ecologia cósmica, 

Acrílica sobre tela, 1960s.


a ecologia urbana e as cidades,

Vista de Belo horizonte, óleo sobre madeira, 1955.

Cidade iluminada, óleo sobre tela, 1955.


os céus, 

Acrílica sobre tela, 1970s.


as montanhas,

 

Acrílico sobre tela, 1970s.


a água,

 

Baía de Guanabara, Óleo sobre madeira, 1944.


os bichos,

Boizinhos, aquarela,  1948

Boizinhos, desenho sobre papel, 1950s.


Boizinho, escultura em aço, anos  2000.


a energia,

Painel energia em Movimento, Cemig, 1985.


a vida interior e espiritual,

Madona barroca, acrílica sobre tela, 1960s. 


a ecologia do  ser,

Escultura em aço. Fita de Moebius -  a unidade dos dois lados da fita. 2000.


Como ilustradora, ela  desenhou temas ecológicos nos livros Meio Ambiente & Evolução humana, A água fala, Ondas à procura do mar, Pepedro nos caminhos da Índia e no Álbum oriente-ocidente, integração de culturas.

Ilustração para o livro Meio Ambiente & Evolução Humana, 2013.


Ilustração para o Álbum Oriente-Ocidente, integração de culturas, 1984.


Ilustração para o livro "Pepedro nos Caminhos da Índia", 1986.

Pensadora, pesquisadora, escritora, ilustradora de livros, pintora, escultora, desenhista, arte-educadora, ela evoluiu por vários campos da ecologia. Por sua versatilidade e facilidade de se expressar em várias linguagens, ela passou por mutações, mas sempre manteve o rumo  de sua busca pela essência, a síntese e a unidade. 

Mandala, símbolo da unidade. Acrílica sobre tela.1980s.

Ecologia cósmica. A terra no cosmos. Ilustração para o livro A água fala.







segunda-feira, 13 de maio de 2024

A Ecologia social na obra de Maria Helena Andrés


As populações humanas formam  sociedades e seus subgrupos: famílias, tribos, comunidades, associações, sindicatos, torcidas, gangues. Diferenciam-se por gênero, raça, cor ou idade. Algumas sociedades são hierarquizadas em classes ou castas, que mantêm entre si relações de cooperação ou de competição. Quando aumentam as populações e as aspirações de consumo, tornam-se mais agudas as disputas pelos recursos naturais, com ou sem violência. Sociedades que aprenderam a se relacionar de modo amigável com a natureza sobreviveram. Outras, que não souberam fazer isso, entraram em colapso e se extinguiram.  

Uma pirâmide social - Ilustração de MHA para o livro Meio Ambiente & Evolução humana, 2013.


A ecologia social estuda as relações entre os agrupamentos humanos e seu ambiente. Analisa como os distintos grupos sociais são  impactados por ações individuais ou coletivas e pela dinâmica da economia.

Vários artistas retrataram a realidade social. Sebastião Salgado fotografou trabalhadores. Henri Cartier-Bresson  viajou pelo mundo  e fotografou diversos tipos humanos. Pintores como Portinari, Di Cavalcanti e outros pintaram tipos variados de brasileiros em seus ambientes. 

Em suas viagens pelo mundo, Maria Helena Andrés testemunhou e desenhou a diversidade social. Na Índia, a sociedade mais diversificada existente no planeta, ela conheceu  conceitos e cosmovisões de como lidar com a diversidade humana de modo não violento. Ali respirou ares democráticos e desenhou comícios nos quais partes da sociedade se movimentam para defender seus interesses.

Comício político. Ilustração  no livro Pepedro nos caminhos da  Índia, 1986

Ilustrações para o livro Pepedro nos caminhos da Índia

As micro identidades, que realçam as diferenças, tendem a gerar fragmentações, preconceitos, separações, intolerância e violência. A consciência da mega identidade durante catástrofes induz à união e à solidariedade. Somos todos terráqueos, frágeis e num mundo perigoso. A consciência dessa macro identidade nos une.

Maria Helena valoriza a essência, a síntese e a unidade, para além das diversidades. Sua visão holística realça as convergências entre o que é diverso. Ela escreveu sobre a unidade humana e a consciência planetária e cósmica: “Realmente, cada vez mais, tomo consciência da interdependência ligando pessoas, natureza, ideias, sensações, sonhos. A nossa unidade com a natureza e o Universo vai se tornando cada vez mais uma realidade. Não somos separados, somos Um!”

Ilustração para o livro "Pepedro nos caminhos da Índia", 1986.


quinta-feira, 9 de maio de 2024

A ecologia interior na obra de Maria Helena Andrés

 

O ser humano é um agente da transformação acelerada que acontece no mundo atual. Sua consciência, pensamentos, sentimentos e  emoções, influenciam suas atitudes. O autoconhecimento de cada um é um caminho para agir de modo ecologicamente consciente, responsável e menos  destrutivo com o ambiente. Ele pode levar à simplicidade voluntária e à frugalidade,  atitudes não violentas que reduzem a pressão sobre o ambiente e não desperdiçam seus recursos. Adaptando a inscrição na entrada do oráculo de Delfos: Espécie humana, conhece-te a ti mesma e conhecerás o ambiente e o universo em que vives.

A ecologia interior se dedica a conhecer as percepções, emoções e ideias e a despertar  a consciência ecológica.  

 Maria Helena Andrés escreveu que a arte é um caminho para isso: “A função da arte em sua essência é a transformação do ser humano. Essa transformação é obtida no próprio exercício da arte, no movimento que conduz o corpo de forma harmoniosa ao encontro de seu próprio self. Os iogues se tornam um com o universo através da meditação. Realmente, no mundo violento em que vivemos, a arte continua a oferecer espaço para um aprendizado de vida.”

Ela desenhou a cena da batalha  descrita no Bhagavad Gita, o clássico hindu,  em que o deus Krishna orienta o guerreiro Arjuna para superar sua fraqueza e cumprir seu dever sem apegos ou desejos egoístas. Essa batalha tem um significado subjetivo.

Krishna e Arjuna na batalha de Kurukshetra, parte do  clássico hindu Bhagavad Gita. ilustração 1993.

Ela escreveu: “A violência não é uma coisa à parte, exterior a nós, ela está dentro de cada ser humano, vem à tona sempre que o ego é atingido por algum desafio, seja uma palavra ou uma ideologia contrária à nossa. Reagimos violentamente quando nossas estruturas de segurança se sentem atingidas. A violência está na raiz de nossa própria mente e a única forma de não compartilhar com a violência do mundo é observar seus movimentos dentro de nós mesmos, sentir o sangue esquentando nas veias quando a pessoa ao lado atinge o nosso ego. “

Ela valorizou o papel da arte para o equilíbrio interior e a prevenção de conflitos: “Num mundo globalizado, onde os valores econômicos são colocados de forma prioritária, a arte pode parecer desnecessária. Porém cabe justamente a ela o grande papel de harmonizadora de conflitos internos, vindo a influir mais tarde nos conflitos externos da sociedade. Para haver a harmonização do ser humano, torna-se necessária a união dos opostos, razão e intuição, o equilíbrio do lado esquerdo e direito do cérebro. Também para a harmonização do planeta, torna-se necessário o equilíbrio dos seus lados esquerdo e direito, que correspondem à razão do mundo ocidental e à intuição do oriental.”

 

Maria Helena  trabalha sobre o álbum Oriente-Ocidente, integração de culturas.

Maria Helena Andrés escreveu que “a paz interna sempre existiu e sempre existirá para aqueles que a buscam nos labirintos de sua própria interioridade.” Nessa linha, podemos adaptar o preâmbulo do ato que constituiu a UNESCO e escrever: Se a destruição  ambiental começa nos espíritos dos seres humanos, é nos espíritos dos seres humanos que devem  ser erguidos os baluartes do cuidado com o ambiente. 



Ilustração no Álbum Oriente - Ocidente - integração de culturas.

 




segunda-feira, 6 de maio de 2024

A ecologia cultural na vida e na arte de Maria Helena Andrés

O ser humano é produto do meio e por sua vez o transforma. Pessoas e comunidades humanas se adaptam a diferentes situações climáticas para se sustentar. Quando não o fazem, há declínio e colapsos.

Ao longo de sua evolução cultural, os seres humanos produziram e disseminaram conhecimentos, inventaram línguas e modos de se comunicar, criaram máquinas e obras  de arte.

A ecologia cultural estuda como as culturas humanas interagem com seus ambientes naturais e como os valores, crenças e tecnologias moldam a maneira pela qual as pessoas percebem, usam e transformam o meio ambiente.

Muitos fotógrafos retrataram as comunidades humanas, tais como Henri Cartier Bresson e Sebastião Salgado. Portinari, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti, Picasso, Van Gogh, Diego Rivera, pintaram tipos humanos.

Maria Helena Andrés transitou por diversas culturas em viagens aos Estados Unidos, à Europa, ao Peru e à Índia e retratou com muitas cores essa diversidade cultural.  No Brasil, pintou e desenhou carnavais,  casamentos na roça, festas juninas e celebrações.

Estudo para Pierrot - década de 1950

Festa de São João - óleo sobre tela - anos 1950

Ela  se  expressou por meio de  desenhos com canetas hidrográficas, pastéis, guaches e aquarelas.

Festejos populares - Diamantina anos 1980

Celebração  nos Andes

Maria Helena refletiu sobre suas atividades como ilustradora: “Realizei viagens pela Índia para fazer os desenhos do livro de Aparecida Andrés, Pepedro nos caminhos da Índia. Outras vezes ilustro minhas próprias reflexões como o álbum Oriente-Ocidente, integração de culturas. A ilustração é a forma do pensamento tomar as vestes das artes plásticas, virar cor, transparência, linha.”

Músicos no Brasil e na Índia - Álbum oriente- ocidente, integração de culturas - 1984

Cenas urbanas e mandala com escritas de diversas línguas indianas - ilustrações para o livro Pepedro nos caminhos da Índia

Como pensadora,  pesquisadora,  escritora, desenhista,  pintora e ilustradora de livros, Maria  Helena abordou a ecologia cultural em sua obra. Maria Helena valorizou a unidade humana que existe para além da diversidade cultural. Ela escreveu que “A cultura é a soma daquilo que temos por herança com o que nos é incorporado pelo meio. E o meio, hoje, não é apenas a nossa região, mas o mundo todo. Pertencemos a ele como uma parcela viva e dinâmica. Seríamos, talvez, uma célula morta se nos recusássemos ao enriquecimento de fora. Ele é necessário desde que não fragmente aquilo que realmente somos.”

“As manifestações artísticas e os símbolos, transcendendo a palavra, captam de forma direta a integração dos diversos povos, fazendo sentir a sua origem comum, que é a origem do próprio ser humano sobre a terra. As ideologias separam os homens porque são conceitos mentais. A mente, de posse da verdade, resiste à invasão de seus domínios. Mas a Verdade é Una, Indivisível, e, acima de tudo, brilha, sem fronteiras, como o sol do meio-dia, clareando a terra como um todo.“