Estimativas recentes (IEA, 2024; Li et al., 2023) indicam que data centers globais
consomem:
Eletricidade: ~1–2% da demanda mundial
(com projeção de crescimento acelerado
devido à IA);
Água: entre 1 e 2 bilhões de m³/ano (consumo
direto para resfriamento), com grande
variabilidade regional. Nos EUA, data centers
respondem por cerca de 0,5–1% do
consumo hídrico nacional, mas em estados como Arizona
ou Virgínia a pressão local é
desproporcional.
O consumo hídrico dos data centers é localizado,
concentrado e crescente, o que o
torna politicamente sensível mesmo quando o número
global é modesto.
Agricultura
Retiradas: ~70% das retiradas globais de água
doce (FAO, 2020);
Consumo (evaporação): ~60% do consumo global;
Ineficiência: em muitas bacias, 40–60% da água
irrigada é perdida por evaporação,
infiltração ou escoamento;
Pegada hídrica: a produção de alimentos responde
por ~90% da pegada hídrica global da humanidade (Hoekstra & Mekonnen,
2012).
A agricultura é, de longe, o maior usuário consuntivo
de água doce. Qualquer discussão
séria sobre falência hídrica precisa colocá-la no
centro.
Atividades Bélicas
A pegada hídrica das atividades militares
é subestimada e mal contabilizada:
Consumo direto: bases militares, operações e
treinamentos consomem água em larga
escala (ex.: operações no deserto);
Contaminação: explosivos, combustíveis, agentes
químicos e destruição de infraestrutura contaminam aquíferos e rios (ex.:
contaminação por urânio empobrecido no Iraque; destruição da barragem de
Kakhovka na Ucrânia em 2023);
Pegada indireta: a produção de armamentos tem
pegada hídrica enorme (aço, alumínio,
semicondutores, combustíveis);
Água como arma: o controle de infraestrutura
hídrica é instrumento de guerra (ex.: cerco de Mariupol, uso do água como arma
pelo Estado Islâmico).
Não há estimativa global consolidada, mas estudos
setoriais sugerem que o complexo
militar-industrial responde por uma fração
significativa da pegada hídrica de países como EUA, Rússia e China —
frequentemente maior, em termos per capita, do que o consumo de data centers.
Conclusão comparativa: o consumo dos data centers
é quantitativamente menor que o
da agricultura e, provavelmente, que o das atividades
bélicas em termos globais. Contudo, é qualitativamente distinto:
concentrado, crescente, vinculado a corporações
transnacionais e frequentemente implantado em regiões
já sob estresse hídrico. ( texto encomendado e editado por Mauricio Andrés, com
assessoramento do DeepSeek).
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