quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

HIDROLOGIA INTEGRAL

 As várias hidrologias especializadas situam-se num quadro geral em que a água pode ser considerada de modo mais amplo, numa abordagem integral.

 Abordagens integrais vêm sendo aplicadas a variados temas, da psicologia à ecologia, da educação ao yoga.  Por meio delas, vai-se além de enfoques que fragmentam o campo estudado. Assim, por exemplo, a ecologia integral pioneiramente estudada por Pierre Dansereau, Pierre Weil e outros, foi adotada pelo Papa Francisco em sua encíclica Laudato Si. Ela estuda tanto os aspectos biológicos relacionados com as espécies vegetais e animais em seus ambientes, como também as questões culturais, sociais e políticas que incluem a espécie humana, além da dimensão subjetiva e psicológica relacionada com a ecologia do ser. A educação integral trata de modo holístico esse campo estratégico para a formação das consciências. Pioneiro dos estudos integrais, Ken Wilber se aprofundou na psicologia integral e na espiritualidade integral. O sábio indiano Sri Aurobindo desenvolveu o Yoga integral, que abarca os inúmeros campos em que se desdobra aquela ciência e prática milenar.


Quando se aplica a visão integral ao campo da hidrologia, consideram-se todos e cada um dos aspectos temáticos específicos da água. Considera-se seus aspectos científicos bem como sua manifestação nas artes, nas tradições espirituais e na filosofia. A hidrologia integral busca superar visões reducionistas e quantitativas. Numa abordagem integral, procura-se refletir em várias escalas, do cosmos à gota e à molécula. Da escala mega até a escala nano. A hidrologia integral não é apenas uma ciência árida e seca. Ela é fertilizada com enfoques qualitativos.

A abordagem integral é inclusiva. Vai além da visão dos especialistas, reconhece sua importância e a insere num contexto maior.  Essa abordagem não fica refém de condicionamentos conceituais legais, como por exemplo os adotados nas leis que valorizam a água como um recurso dotado de valor econômico e que não explicitam seu valor ecológico e sua importância como um patrimônio coletivo.

Uma abordagem integral a partir da água pode ser necessária para compreender a era de incertezas, mudanças e inseguranças em que vivemos; uma era líquida, mutável, em que conceitos antropocêntricos, ecocêntricos, biocêntricos, cosmocêntricos se tornam pouco esclarecedores e a ação baseada neles pouco eficaz.

É necessário desenvolver uma visão orgânica de como ela flui no ambiente, para além de visões sistêmicas parciais e setoriais; ampliar a consciência dela como parte de um sistema hídrico, que por sua vez é componente vital de um organismo vivo, seja ele o corpo humano, uma bacia hidrográfica ou o planeta Terra.

A abordagem integral enxerga os múltiplos ângulos em que as águas permeiam os ambientes, desde o cosmos até o interior dos corpos dos seres vivos. A água é múltipla, mas também é uma só. A abordagem integral ruma a uma visão em que a água passa a ser tema dos estudos teóricos e práticos da hidrosofia (hidro+sophia), uma abordagem que traz sabedoria, e da hidrofilia, a amizade para com a água (hidro+ philos) para além dos conhecimentos, das informações e dos dados.

Para lidar com a água numa perspectiva integral é necessária a abordagem transdisciplinar, que combina ciência e arte, tradições e filosofias, e que vai além de cada uma das disciplinas acadêmicas especializadas a partir das quais ela é percebida e estudada.

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