segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Tipos de comentários nas redes sociais sobre o Relatório da ONU sobre falência hídrica
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
Minuta de proposta para transição energética
Encomendei ao DeepSeek: Escreva proposta de resolução a ser submetida, em caráter prioritário, ao Conselho Nacional de Política Energética - CNPE, com a finalidade de estabelecer diretrizes para elaboração do mapa do caminho para uma transição energética justa e planejada, com vistas à redução gradativa da dependência de combustíveis fósseis no País, e de propor mecanismos de financiamento adequados à implementação da política de transição energética, inclusive a criação do Fundo para a Transição Energética, cujo financiamento será custeado por parcela das receitas governamentais decorrentes da exploração de petróleo e gás natural, a ser elaborada pelo Ministério de Minas e Energia, o Ministério da Fazenda, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e a Casa Civil da Presidência da República.
O DeepSeek redigiu uma PROPOSTA DE RESOLUÇÃO Nº XX/CNPE
O CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA ENERGÉTICA - CNPE, no uso de suas atribuições legais, e
CONSIDERANDO:
a) A necessidade urgente de o País alinhar sua política energética aos compromissos internacionais assumidos no Acordo de Paris e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU;
b) A vulnerabilidade econômica e social decorrente da excessiva dependência de combustíveis fósseis em nossa matriz energética;
c) A oportunidade histórica de aproveitar nossos recursos energéticos renováveis abundantes (hídrica, solar, eólica, biomassa) para promover desenvolvimento sustentável, soberania energética e geração de empregos de qualidade;
d) O imperativo ético de conduzir a transição energética de forma justa e planejada, garantindo proteção social a trabalhadores e comunidades afetadas, em especial nos territórios historicamente impactados pela cadeia fóssil;
e) A importância de se criar fontes de financiamento estáveis, previsíveis e adequadas à escala do desafio da transição;
f) A necessidade de uma governança robusta e participativa para coordenar esta transformação estrutural da economia brasileira;
RESOLVE:
Art. 1º Ficam estabelecidas as seguintes Diretrizes para a Elaboração do Mapa do Caminho para uma Transição Energética Justa e Planejada:
I. Objetivo Central: Reduzir gradativa e sistematicamente a participação de combustíveis fósseis na matriz energética nacional, estabelecendo metas setoriais intermediárias e de longo prazo (2030, 2035, 2040, 2045, 2050), alinhadas com a meta de neutralidade climática.
II. Princípios Norteadores:
a) Justiça Socioeconômica e Energética: Priorizar políticas que reduzam desigualdades, assegurem acesso universal e de qualidade à energia, e promovam inclusão produtiva.
b) Planejamento Participativo e Territorializado: Envolver Estados, municípios, comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, trabalhadores, setor empresarial e academia no desenho e implantação das políticas.
c) Segurança Energética e Resiliência: Garantir a confiabilidade e acessibilidade do suprimento energético durante a transição.
d) Inovação Tecnológica e Desenvolvimento de Cadeias Produtivas Nacionais: Fomentar pesquisa, desenvolvimento e industrialização verde, com foco em energias renováveis, armazenamento, eficiência energética e hidrogênio verde.
III. Eixos Estratégicos do Mapa do Caminho:
a) Eletrificação Sustentável e Renovável: Acelerar a expansão de fontes renováveis não-hidrelétricas (solar, eólica, biomassa moderna), integrá-las ao sistema com redes inteligentes e armazenamento, e promover a eletrificação de transportes, indústria e aquecimento.
b) Eficiência Energética como Recurso Prioritário: Estabelecer metas ousadas de redução de intensidade energética em todos os setores, com programas específicos para indústria, edificações e transportes.
c) Combustíveis Sustentáveis: Expandir e modernizar a produção de biocombustíveis (etanol, biodiesel, bioquerosene, biogás/biometano) e desenvolver outras rotas tecnológicas (e-combustíveis, hidrogênio).
d) Transição Justa para Trabalhadores e Territórios: Criar programas de requalificação profissional, incentivo à realocação em cadeias verdes, e planos de desenvolvimento econômico regional para áreas dependentes de fósseis.
e) Modernização Regulatória: Adaptar o marco regulatório dos setores de energia, mineração e infraestrutura para incentivar investimentos em transição e descentralização.
Art. 2º Fica autorizada a criação do Fundo para a Transição Energética (FTE), instrumento financeiro de caráter permanente, vinculado ao Ministério de Minas e Energia, com as seguintes características:
I. Finalidade: Financiar projetos, programas, pesquisa e desenvolvimento, e políticas públicas voltadas para a implementação do Mapa do Caminho da Transição Energética Justa, com foco em:
a) Investimentos em energias renováveis e infraestrutura de suporte.
b) Programas de eficiência energética.
c) Pesquisa, desenvolvimento e inovação em tecnologias de energia limpa.
d) Programas de transição justa (requalificação, apoio a municípios, diversificação econômica).
e) Mitigação de impactos socioambientais da transição.
II. Fontes de Recursos:
a) Parcela das Receitas Governamentais da Exploração de Petróleo e Gás Natural: Destinar ao FTE um percentual (a ser definido em lei complementar) das receitas de royalties, participações especiais e outros tributos federais decorrentes da produção de petróleo e gás.
b) Recursos do Orçamento Geral da União.
c) Doações nacionais e internacionais.
d) Retorno financeiro de aplicações e projetos apoiados.
e) Outras fontes a serem definidas em lei.
III. Governança: O FTE será gerido por um Comitê Gestor paritário, com representantes dos Ministérios de Minas e Energia (presidente), da Fazenda, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, da Ciência, Tecnologia e Inovações, da Casa Civil, além de representantes da sociedade civil, do setor empresarial e dos trabalhadores, em modelo a ser regulamentado.
Art. 3º Fica determinado que o Mecanismo de Financiamento da Transição Energética compreenderá, além do FTE:
I. Linhas de crédito especiais e garantias em bancos públicos (BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal).
II. Incentivos fiscais e creditícios verdes, vinculados a critérios socioambientais rigorosos.
III. Atração de investimento privado nacional e estrangeiro para projetos sustentáveis.
IV. Instrumentos de mercado, como títulos verdes (green bonds) e mecanismos de precificação de carbono.
Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 5º Ficam encarregados da elaboração do Mapa do Caminho e dos projetos de lei e atos normativos necessários à implementação desta Resolução, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, em regime de colaboração:
I. O Ministério de Minas e Energia (coordenador);
II. O Ministério da Fazenda;
III. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima;
IV. A Casa Civil da Presidência da República.
Os referidos órgãos deverão apresentar relatórios trimestrais de andamento ao CNPE e promover ampla consulta pública durante o processo de elaboração.
JUSTIFICATIVA (para acompanhar a proposta):
A presente proposta visa institucionalizar e acelerar a transição energética brasileira, transformando um desafio global em uma oportunidade nacional de desenvolvimento. Ao vincular o financiamento da transição a uma parcela das receitas dos fósseis, cria-se um ciclo virtuoso: os recursos finitos da era do petróleo financiam a infraestrutura permanente da energia limpa. O caráter "justo" é o pilar central, reconhecendo que a transição só será bem-sucedida e legítima se for inclusiva. A governança multissetorial e a participação social garantem robustez e adesão às políticas. A medida posiciona o Brasil na vanguarda da economia de baixo carbono, protegendo nossa competitividade futura, gerando empregos e cumprindo nossas responsabilidades climáticas. A urgência do tratamento prioritário se justifica pela janela de oportunidade tecnológica e industrial que se fecha rapidamente no cenário global.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
A CIÊNCIA E A QUARTA FASE DA ÁGUA
O avanço do conhecimento científico expande a compreensão do universo e dos riscos a que estamos sujeitos. Campos emergentes da pesquisa estudam a informação transportada pela água, as fronteiras do seu uso na saúde, a dinamização e procedimentos na homeopatia, as ultradiluições de substâncias biologicamente ativas e seus efeitos nos sistemas vivos, a nanoestrutura e a sua microestrutura molecular.
O Professor Gerald Pollack, da Universidade de Washington
em Seattle, escreveu o livro "A quarta fase da água". Ali ele
propõe que a água tem uma quarta fase, além das fases sólida, líquida e gasosa.
Essa quarta fase é intermediária entre o sólido e o líquido, como uma espécie
de gelatina coloidal, semelhante à clara do ovo, na qual as moléculas de água
se organizam de forma coletiva. Ela se apresenta como H3O2. As pesquisas sobre uma quarta fase da água,
uma água estruturada (EZ water) na interface com superfícies hidrofílicas abrem
novas fronteiras para entender a água nos organismos vivos.
Essa fase é denominada "água estruturada" ou
"água ordenada". A água estruturada é proposta como um estado no qual
as moléculas de água estão organizadas de maneira distinta, formando clusters
ou estruturas ordenadas. Esse estado é sugerido por algumas pesquisas e teorias
científicas, embora ainda não seja amplamente reconhecido pela comunidade
científica.
O Professor Pollack diz que há 75 anomalias no
comportamento da água que precisam de outras explicações e que o
quarto estado ou fase da água seria um caminho para explicar tais anomalias.
Ele considera que é crítico entender a quarta fase da água para entender a natureza
e a vida.
As aplicações práticas associadas com a quarta fase da
água vão desde a geração de energia (a água é um repositório de energia,
absorve energia que vem da luz); a obtenção de água potável, a dessalinização
de água do mar, a despoluição e descontaminação das águas. As pesquisas
científicas sobre a sua microestrutura dinâmica podem ser aplicadas em vários campos, como a
agricultura, a medicina homeopática e a produção de energia limpa.
segunda-feira, 24 de novembro de 2025
Da Hidrosofia ao mutirão das águas
Maurício Andrés Ribeiro*
O que é a água? Para a
ciência, é H₂O, uma molécula essencial para a vida. Para a economia, é um
recurso. Para a engenharia, um fluxo a ser gerido. Mas e se a água fosse mais
do que isso? E se ela fosse, acima de tudo, uma fonte de sabedoria?
É dessa pergunta que
nasce a Hidrosofia.
Um termo que ainda não está nos dicionários, mas que pulsa em seu significado:
é o saber sobre a água. "Hidro", do grego, para água.
"Sofia", para sabedoria. Não se trata de substituir a Hidrologia – a
ciência que estuda as águas – mas de complementá-la. Enquanto a Hidrologia nos
dá os dados, as medições, os modelos matemáticos, a Hidrosofia nos convida a
olhar para a nossa relação com
esta substância.
É um chamado para ir
além do racionalismo puro. A Hidrosofia integra a ética, a cultura, a
espiritualidade e a arte. Ela recupera o entendimento dos povos originários,
que sempre enxergaram os rios como entes vivos e sagrados. Ela escuta a lição
do Gênesis, que descreve o Espírito de Deus pairando sobre as águas primordiais
antes de qualquer outra forma de vida, nos lembrando de nossa origem comum no
útero líquido do planeta.
A proposta da
Hidrosofia é uma mudança de mentalidade para uma visão hidrocêntrica.
Isso significa colocar a água no centro do nosso entendimento do mundo, e não o
ser humano. Em vez de tentarmos dominar os ciclos da água, a Hidrosofia nos
ensina a reorganizar nossas sociedades a partir deles, honrando sua lógica de
fluxo, permeabilidade e regeneração.
E o que isso significa
na prática? Significa perceber que nós
somos água. A água não é algo externo a nós. Ela circula em
nosso corpo, compõe nossa própria biologia. Quando olhamos para um rio, não
estamos olhando para algo separado de nós, mas para uma extensão do que somos.
Esse entendimento gera um vínculo de comunhão, e não de exploração.
Podemos entender essa
jornada por meio de uma pirâmide com quatro degraus, a Pirâmide da
Hidrosabedoria:
·
Dados: São os números brutos. "Choveu 20mm".
·
Informação: É o dado contextualizado. "A média de chuva em
novembro é de 25mm".
·
Conhecimento: É a aplicação da informação. "Essa chuva é suficiente
para encher nossos reservatórios".
·
E, finalmente, a Sabedoria: É a aplicação
ética e compassiva do conhecimento. "Vamos usar essa água com consciência,
garantindo que haja para todos, hoje e no futuro, protegendo as nascentes e
honrando esta dádiva."
A sabedoria, o ápice
dessa pirâmide, é o território da Hidrosofia. É ela que nos permite discernir
como viver em harmonia com os ciclos da água.
Essa sabedoria se
manifesta em ações coletivas. É aqui que a Hidrosofia encontra seu braço
prático no Mutirão
das Águas. Se a Hidrosofia é a filosofia, o mutirão é a ação. É
a ajuda mútua, o trabalho coletivo – conceito tão brasileiro – aplicado à cura
das águas do planeta. Reúne em uma mesma margem de rio o conhecimento técnico
do cientista, a sabedoria ancestral do indígena, o poder de ação do governo e a
força da comunidade.
O Mutirão das Águas,
inspirado pela lógica do Mutirão do Clima que tomou corpo na COP-30 em Belém, é a materialização da
Hidrosofia. É a compreensão de que a segurança hídrica é a base de toda a
segurança – alimentar, energética, sanitária, econômica e social. E que a gestão
fragmentada é uma das maiores ameaças ao nosso futuro.
Portanto, a Hidrosofia
não é um conceito abstrato para acadêmicos. É um convite para cada um de nós. É
beber um copo d'água com gratidão. É perceber a chuva não como um transtorno,
mas como uma bênção que sustenta a vida. É entender que a água que flui em
nossas veias é a mesma que corre nos rios, que evapora para formar as nuvens e
que retorna para nutrir a terra.
É uma mudança de
consciência: de uma hidroalienação –
onde a água é um mero recurso distante – para uma hidroconsciência –
onde percebemos nossa íntima ligação com o ciclo da vida.
Que possamos, juntos,
nos tornar hidrósofos. Pessoas que não apenas usam a água, mas que a entendem,
a respeitam e a honram. Porque garantir que as águas do planeta continuem a
fluir, límpidas e abundantes, talvez seja a mais urgente e bela expressão de
sabedoria do nosso tempo.
·
Arquiteto e escritor www.ecologizar.blogspot.com ecologizar@gmail.com
Mapa do caminho para a transição energética justa - subsídio para a COP 31
Contribuição para o Mapa do Caminho
sexta-feira, 15 de agosto de 2025
Consumo de carne e impactos ambientais globais - o grande exemplo da Índia
Hoje, 15 de agosto, dia da Independencia da Índia. A Índia dá um grande exemplo para o mundo. Veja os numeros de consumo de carne per capita e seus impactos ambientais e climáticos. A transição alimentar justa e ecológica é um tema tão importante quanto a transição energética justa.
segunda-feira, 9 de junho de 2025
PEGADA HÍDRICA
A pegada hídrica se refere à quantidade
de água gasta na produção e consumo de bens e serviços. Wikipedia
Para medir a sustentabilidade, criaram-se vários indicadores
tais como a pegada ecológica, a pegada de carbono e a pegada hídrica. Esses
indicadores ajudam a entender como os recursos naturais são afetados pela
produção e pelo consumo humanos e qual a pressão que exercemos tais recursos. A
pegada ecológica mede o quanto de área cultivável é necessária para sustentar o
estilo de vida de uma pessoa, uma cidade ou um país. A pegada de carbono mede o
quanto de carbono está embutido no modo de vida de um cidadão ou de um país. A pegada
hídrica mede o volume de água doce usado na cadeia de
produção de um bem de consumo.
Há a pegada hídrica azul (correspondente às águas
superficiais e subterrâneas que são usadas), a pegada hídrica verde (que
corresponde à água de chuva) e a pegada hídrica cinza (que corresponde à
contaminação causada nos rios pelo despejo de efluentes). As pegadas hídricas
tornam visíveis os riscos para os negócios que dependem de água e ajudam na
conscientização das pessoas sobre o quanto de água se encontra embarcada ou
embutida dentro dos produtos que consomem. Se a pegada hídrica de algum produto
não for sustentável, aumentam os riscos de ele tornar-se inviável ou muito caro
no futuro.
Vários sites na internet disponibilizam testes para calcular a pegada hídrica que pode ser feito respondendo a um questionário sobre
hábitos e modo de vida, que informa sobre o consumo direto e o consumo
indireto, em litros por dia. O consumo
direto é aquele que se faz ao beber água, ao tomar banho, ao lavar o carro, cozinhar, lavar
roupas e louças, escovar os dentes. Já o
consumo indireto é aquele invisível, e que está escondido nos produtos
consumidos.
A pegada hídrica pode ser calculada para uma
pessoa, um produto, uma cidade ou um país. A rede da pegada hídrica elaborou um manual
com definições e formas de medi-la. O
cálculo da pegada hídrica individual leva
em conta o consumo de alimentos em kg. Avalia o uso doméstico nos banhos,
quantos são e qual a sua duração média. Avalia o modelo de chuveiro. Pergunta
quais são os hábitos ao escovar os dentes, fazer a barba ou lavar a mão. Indaga
sobre quantas são as lavagens de roupa, de louça e quanto tempo ela corre
durante cada lavagem. Também se avaliam
os hábitos ao ar livre de lavar um carro, regar o jardim, lavagem de equipamentos
ou calçadas, se a casa tem piscina etc.
O resultado da soma dos pontos indica a pegada hídrica individual.
O teste aponta para a necessidade de se promoverem mudanças
nas regras econômicas, no design urbano e da habitação e em decisões coletivas,
com o objetivo de tornar mais leve a pegada hídrica. Assim, por exemplo,
podem-se criar desincentivos que apliquem sanções em quem tem uma pesada pegada
hídrica e que estimulem com incentivos aqueles que vivem com mais leveza.
O teste da pegada hídrica suscita questões: Como tornar mais
leve a pegada hídrica de uma pessoa ou de um país? Qual a redução de
desperdícios que deve ser buscada? Qual a mudança necessária de hábitos,
atitudes e comportamentos deve-se adotar? Para se atender à mesma necessidade humana,
existem outros modos que utilizem menos água? Quais as renúncias
voluntárias ao excesso de consumo que devem ser induzidas? O que se pode fazer
para reduzir as demandas excessivas? Por meio do sistema de preços, encarecendo
aquelas que consomem mais? Retirando os subsídios aos usos não essenciais? Cobrando os preços integrais e contabilizando
os custos integrais de cada produto ou serviço?
Como reduzir a demanda indireta, aquela que está embutida nos
processos de produção de alimentos e outros produtos?
Um dos caminhos possíveis para tornar mais leve a pegada hídrica é
reduzindo as demandas. Há várias maneiras de fazê-lo. A adoção de
tecnologias hidroeficientes e a troca de equipamentos ineficientes por outros
mais eficazes no consumo (torneiras, chuveiros, descargas etc.) reduzem a
demanda doméstica sem afetar os hábitos de vida.
Na Califórnia há estímulos econômicos para se utilizar instalações,
vasos, pias, chuveiros, hidroeficientes, que consomem menos água.
A agricultura é o grande consumidor de água. A produção
agrícola pode ser gerenciada em função das quantidades que demanda. No rio
Banabuiú no Ceará, houve um experimento, o projeto Águas do Vale. Propunha-se
mudar a produção agrícola, de culturas sedentas e que demandam muita água, para
produtos agrícolas que poderiam ser produzidos com menor quantidade.
Consumir com responsabilidade hídrica deve ser um imperativo
porque o consumo insustentável usurpa o direito à água de milhões de seres
humanos. Ao usarmos mais do que a capacidade de suporte local, é como se
estivéssemos sacando no cheque especial.
Não se pode sacar indefinidamente mais do que se repõe.
A redução do consumismo é uma boa maneira de reduzir a
demanda. Isso implica atuar sobre fatores psicológicos e subjetivos e sobre os
desejos; a dimensão psicossocial da questão entra em cena. Mudanças nas dietas
alimentares e em outros hábitos de consumo também podem tornar mais leve a
pegada hídrica.

