quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Water Speaks


For future generations it will be increasingly vital to have not only specialized knowledge but also a holistic and integral awareness of water. Since in this book it is the water that speaks, thus, the book is written in the first person, as if the narrative were made by the water itself. It is addressed to young people in a synthetic and poetic language, permeated by illustrations.

The book describes, in five parts, a journey through the complete water cycle in the environment, its movement, its presence in living bodies, in culture, and issues related to its use.

The first part invites the reader to approach water, to know its travels through the universe and on earth. This part describes how water circulates in the environment. The book shows the various states it assumes when faced with heat and cold and the temperature changes that make water into vapor, or its liquid or solid form. The text shows that it can be sweet, brackish or salty and that water is a sign that indicates the existence of life.

In the second part the reader is invited to follow water in its movement, experiencing the forms it takes and the various places it occupies in the heavens as hail, rain, or snowflakes, on earth, or underground. The water cycle is described, in its forms as precipitation, evaporation, soil infiltration, how it arises in springs and causes soil erosion, as well as flooding and drought.

The third part describes the path of water in the living bodies of humans, animals and plants and highlights its role and importance to life. Water is in the sap that carries mineral salts in the plants that exude water into the environment, in the fluids of living bodies, such as tears, sweat, blood, urine, in the placental fluid where babies live in their mother’s wombs, in cleansing of bodies while batheing.

Since water is a frequent theme in culture, religion and the arts, the fourth part of the book shows how it is sung and spoken about and shown in various cultural and artistic manifestations – music, poetry, dance, urbanism and landscaping. In many spiritual traditions water is considered sacred and used in purification rituals like Christian baptism and also mentioned in biblical narratives like the great flood. In other traditions, there are water gods and goddesses, and there are rituals like the rain dances of Indians. Many words in all languages refer to water, and many places and cities have water-related names.

In the fifth and final part, the book highlights some of water’s multiple uses: for human supply and for animals to drink, for irrigated agriculture, power generation, transportation, as well as for fishing, recreation, leisure and tourism. This final part shows everyone's need for water to maintain health and well-being and denounces the waste that happens during its consumption. The last part emphasizes the problems and insecurity arising from water scarcity or excess in the cases of droughts and floods. It shows the importance of building dams, canals, aqueducts, water and sewage treatment plants and of conserving the soil to prevent leaching and silting and promoting protection of soil and water sources. It underlines the importance of developing cooperation concerning water and devising ways to promote dialogue and avoid rivalries, conflicts and violence between those who need it and dispute possession of water.

A glossary defines the main concepts used. Questions are formulated to enable the reader to take a guided reading, the answers to which help to better understand water and its multiple uses.

 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

A água fala



 

Para as próximas gerações será cada vez mais vital ter não apenas conhecimento especializado, mas uma consciência holística e integral sobre a água. Motivados por isso escrevemos o livro  "A água fala" na primeira pessoa do singular, como se a narrativa fosse feita pela própria água. Ele é dirigido aos jovens, numa linguagem sintética e poética, permeada por ilustrações da artista Maria Helena Andrés. 
O livro descreve, em cinco partes,  uma viagem pelo ciclo completo da água no ambiente, seu movimento, sua presença nos corpos vivos, na cultura e as questões relacionadas com o seu uso.
A primeira parte convida o leitor para se aproximar da água,  para conhecer suas viagens pelo universo e pela Terra. Descreve como ela circula no meio ambiente.  Mostra os diversos estados que assume diante do calor e do frio e das mudanças de temperatura que a tornam vapor, líquida ou sólida. Mostra que pode ser doce, salobra ou salgada e como é um sinal  que indica a existência de vida.
 Na segunda parte o leitor é convidado a acompanhar a água em seu movimento, vivenciando as formas que ela assume e os diversos lugares que ocupa nos céus, na terra, no subsolo como granizo, chuva, flocos de neve. Descreve seu ciclo, com a precipitação, a evaporação, a infiltração no solo, mostra como surge em nascentes e provoca a erosão dos solos, as enchentes, as inundações e as secas.
Ilustração de Maria Helena Andrés

A terceira parte descreve o caminho da água nos corpos vivos de seres humanos, animais e plantas e ressalta seu papel e importância para a vida. Ela está na seiva que transporta sais minerais nas plantas que a transpiram para o ambiente, nos líquidos dos corpos vivos, como as lágrimas, o suor, o sangue, a urina, no líquido em que os bebês vivem no útero das mães, na limpeza dos corpos nos banhos.
Ilustração de Maria Helena Andrés

Como a água é tema frequente na cultura, nas religiões e nas artes, a quarta parte do livro aponta como ela é cantada, falada e mostrada nas diversas manifestações culturais e artísticas, na música, na poesia, na dança, no urbanismo e no paisagismo. Em muitas tradições espirituais ela é sagrada e está nos rituais como o batismo cristão e nas narrativas bíblicas como a do dilúvio. Em outras tradições, há deuses e deusas ligados à água, há rituais como a dança da chuva dos índios. Muitas palavras em todos os idiomas se referem a ela e muitos lugares e cidades têm nomes relacionados com as águas.

Na quinta e última parte, o livro realça alguns de seus múltiplos usos: para o abastecimento humano e para matar a sedes dos animais, para a agricultura na irrigação, para a geração de energia, para o transporte, para a pesca, a recreação, o lazer e o turismo. Mostra a necessidade que todos têm dela para manter a saúde e o bem estar. Denuncia os desperdícios que acontecem no seu consumo. Enfatiza os problemas e a insegurança decorrentes de sua escassez ou excesso, com as secas e as inundações. Mostra a importância de se construírem obras tais como açudes, canais, aquedutos, estações de tratamento de água e de esgotos e de conservar os solos e promover sua proteção como uma riqueza de grande valor. Realça a importância de desenvolver a cooperação em torno da água e criar modos  de promover diálogo e de evitar rivalidades, conflitos e violência entre aqueles que dela precisam e que a disputam.

Um glossário define os principais conceitos usados. Formulam-se perguntas para permitir ao leitor uma leitura orientada, cujas respostas ajudam a compreender melhor a água e seus múltiplos usos.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Comunicação não-violenta

Maurício Andrés Ribeiro (*)

A violência física, com homicídios e agressões, é a ponta do iceberg de uma violência mais geral, que se inicia nos sentimentos e emoções, nos pensamentos e nas palavras. A violência física é um estágio avançado que muitas vezes sucede a violência verbal ou na comunicação, a qual por sua vez pode suceder a violência mental existente nos pensamentos e sentimentos.

Quando um adolescente que sofreu bullying volta armado à sua escola e mata seus colegas, uma ação que não é crime, mas que é uma forma de comunicação violenta (caçoar ou zombar de alguém ou de algo) induz a uma ação criminosa (atirar e matar).

A comunicação pode ser violenta ou não-violenta. [1] Um bom modo de prevenir na sua origem a escalada de violência na sociedade é adotar as práticas da comunicação não -violenta. Pensamento, sentimento e emoção não violentos estão na raiz da comunicação não-violenta. Eles ajudam a prevenir a violência física, a criminalidade e a insegurança.

Mahatma Gandhi aplicou o princípio da não-violência, ou ahimsa, quando da luta de libertação da Índia. Valeu-se também do princípio da satyagraha, ou experiência com a verdade. O compromisso com a verdade é um princípio poderoso para a comunicação não-violenta. Tal postura é pragmática para aumentar as chances de êxito dos menos truculentos ou menos armados. Pode significar o êxito da inteligência contra a força bruta.

Palavras e imagens na comunicação podem ser armas poderosas que precisam ser usadas com cuidado e precisão. O uso leviano delas pode se voltar como um bumerangue e atingir quem as usa. Submersos e invisíveis nas mensagens escondem-se necessidades, interesses, crenças, desejos, sentimentos, pensamentos, emoções e preconceitos. Mensagens  podem ser portadoras de verdade, mentira, meias verdades; podem evocar beleza ou feiura; podem transmitir bondade ou maldade. Podem injuriar, difamar, ironizar, alfinetar e ferir, caçoar e zombar, insinuar maldosamente. Nesse sentido são armas, para ofender, atacar e se defender de ataques adversários. Nas relações interpessoais, todos nós experimentamos momentos de comunicação harmônica e veraz e momentos de comunicação tensa ou truncada, com mensagens subliminares ou manipulações estratégicas.

A internet e a mídia são campos de batalha onde se disseminam milhões de informações todo o tempo. Na mídia e nas redes sociais assiste-se a uma guerra virtual de ideias, com ataques e contra-ataques, com agressões à honra, agressividade, falta de cortesia. Na guerra da comunicação e da informação, as palavras e imagens são armas poderosas. Nesse ambiente, disseminam-se inverdades plantadas por quem interessa corroer a imagem de oponentes, adversários ou inimigos. A falta de relação com a verdade, a hipocrisia, a dissimulação, os enganos e autoenganos, a mensagem agressiva e ofensiva, insultuosa e não verdadeira são formas de uso violento da comunicação. No ambiente virtual há múltiplas facilidades para manipulação de informações, edição e montagens, fazer passar ficção por realidade, criar factoides, fake news, mentiras e enganos. Os meios de comunicação, com a propaganda e a publicidade, com frequência usam técnicas de manipulação das consciências com finalidades comerciais ou de dominação política.

Pode ser que a violência física no Brasil se reduza ao se evitar a violência nas mensagens e na comunicação e ao se reduzir aquela contida nos pensamentos e nos sentimentos. A violência nas escolas brasileiras, antes de ser física, é uma violência verbal e mental.

A construção de uma cultura da paz exige transformação de valores, mentalidade e comportamentos. A UNESCO já reconhecia a necessidade de trabalhar a paz dentro de cada pessoa quando adotou a seguinte frase como introdução ao ato que a constituiu: “Se as guerras nascem no espírito dos homens, é nos espíritos dos homens que devem ser erguidos os baluartes da paz.”

A falta de fraternidade induz a violência. Liberdade de expressão sem fraternidade e respeito pelos outros pode ter resultados violentos e criminosos, como mostram episódios de comunicação no Brasil e no exterior. Toda ação gera uma reação, que pode ser desproporcional quando envolve fundamentalismos religiosos. O sábio indiano Sri Aurobindo observou que  a fraternidade é a chave para viabilizar a liberdade com igualdade.

Mensagens podem inspirar, promover virtudes, despertar sentimentos edificantes. O cuidado com as mensagens  e com a linguagem integra o esforço de aprimoramento da evolução humana. Gentileza, cortesia, cordialidade, empatia e compaixão, fraternidade e amor são atitudes que podem promover encontros, cooperação e compreensão e desarmar escaladas de violência a partir da comunicação.

(*) Autor dos livros Ecologizar, Tesouros da Índia, Meio Ambiente & Evolução Humana.





[1] Marshall Rosenberg escreveu o livro Comunicação não-violenta, no qual desenvolveu técnicas para aprimorar os relacionamentos pessoais e profissionais. Dominic Barter oferece cursos sobre o tema em português. Ver  https://www.youtube.com/watch?v=Frg2Qc2AzCs