terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Hidrologia integral



Maurício Andrés Ribeiro
A palavra hidrologia significa estudo da água. Encontra-se água no cosmos, no planeta Terra, dentro dos seres vivos, em estado sólido, líquido e gasoso. Ela é o meio em que se desenvolve a vida, nos mares ou no líquido amniótico nas placentas.
Água no corpo humano.

Água na cauda dos cometas.


A abordagem integral vem sendo adotada em vários campos da ciência. Por meio dela, vai-se além de enfoques que fragmentam o campo do que é estudado. Assim, por exemplo, a ecologia integral pioneiramente estudada por Pierre Dansereau, Pierre Weil e outros, foi adotada pelo Papa Francisco em sua encíclica Laudato Si. Ela estuda não apenas os aspectos biológicos relacionados com as espécies vegetais e animais em seus ambientes, mas as questões culturais, sociais e políticas que incluem a espécie humana, além da dimensão subjetiva e psicológica relacionada com a ecologia do ser. A educação integral trata de modo holístico esse campo estratégico para a formação das consciências. Pioneiro dos estudos integrais, Ken Wilber se aprofundou na psicologia integral e na espiritualidade integral. O sábio indiano Sri Aurobindo desenvolveu o Yoga integral, que abarca os inúmeros campos em que se desdobra aquela ciência e prática milenar.
A busca de visão integral aos poucos chega ao campo da hidrologia, que em sua origem é uma ciência natural. Ela estuda a ocorrência de água no planeta Terra, como está distribuída e se movimenta, suas propriedades físico-químicas, sua relação com o ambiente e com a vida. Cada vez mais os aspectos humanos, culturais, históricos, econômicos, tendem a se desenvolver. Devido à sua importância política e social surgiram os campos da hidropolítica e da hidrologia social, bem como a hidrologia urbana.
A hidrologia integral estuda todos e cada um dos aspectos da água.
Rede hidrográfica brasileira. Fonte: ANA
A hidrologia ambiental fornece o conhecimento de base para os especialistas em recursos hídricos atuarem em planos, na medição de chuvas e de vazões de rios, no cálculo das águas disponíveis; na medição dos aspectos físicos, químicos e biológicos que revelam a qualidade das águas.Trata-se de abordagem quantitativa e que tem sua base na coleta acurada de dados sobre chuva e vazão  de rios. Equipamentos tais como  pluviógrafo, pluviômetro de proveta, réguas de cálculo, amostrador de sedimentos, anemometro de solo, piranógrafo, flutuador, radiômetro,
molinete, eco batímetro,mini Cartan (para medir a velocidade da água), cadernos  para anotar observações de campo, compõem a caixa de ferraamentas dos hidrometristas que observam em campo os dados e os transmitem para serem analisados e produzirem estatísticas e séries históricas que são básicas para a tomada de decisões. 


Essa hidrologia quantitativa poderia ser chamada de hidronomia, por basear-se em números e em medições quantitativas como a economia. (A econometria está para a economia assim como a hidrometria está para essa hidronomia). A hidrologia estatística enfatiza aspectos quantitativos valiosos para a gestão das águas.  A hidrologia aplicada focaliza questões relacionadas com o uso dos recursos hídricos, tais como os planos de bacias hidrográficas, o abastecimento de água e a drenagem urbana, os aproveitamentos hidroelétricos, a erosão, as poluições e a qualidade das águas. Relaciona-se com o projeto e a construção de obras de engenharia e de infraestrutura hidráulica – reservatórios, represas, aquedutos, canais, portos – e também nas práticas de gerenciamento das águas, especialmente as águas superficiais. Nesses aspectos práticos, técnicos, gerenciais e administrativos, conhecimentos hidrológicos quantitativos embasam a tomada de decisão.A hidrologia espacial é um campo emergente e com grande futuro e que faz uso de satelites,de sensoreamento remoto e observações a partir do espaço com as tecnologias mais recentes.
Os campos da glaciologia ou criologia estudam o gelo; a hidro meteorologia estuda sua presença na atmosfera, a limnologia estuda as extensões de água doce, como os lagos e pântanos; a hidrostática, a hidro cinética, a hidrodinâmica, estudam seus aspectos físicos, a hidrografia estuda as águas correntes, a oceanografia estuda as águas oceânicas e a hidrogeologia estuda as águas subterrâneas. O campo da hidro cosmologia estuda a água que existe no cosmos e nos corpos celestes, como as caudas dos cometas.

O campo da hidrologia médica trata das curas com águas medicinais e das hidroterapias e das águas como agentes terapêuticos. A homeopatia é um dos campos que trabalha com diluições e dinamizações em ambiente aquoso de elementos que podem curar. Os poderes solventes e dissolventes das águas e suas propriedades moleculares a tornam apta a receber e transmitir informação.
Diante da importância crescente da água - elemento da natureza que rapidamente responde a mudanças de temperatura e pressão, ela tem papel estratégico nas medidas de adaptação as mudanças climáticas pelas quais passa o planeta. A hidrologia integral tende a superar visões reducionistas e quantitativas, sem entretanto negar sua importancia para a gestao das aguas, e que é exercida por especialistas em recursos hídricos e por uma gama de profissões.
Rio Ganges em Rishikesh, Índia. Foto: Mauricio Andrés

Para além da abordagem da hidrologia integral, baseada nas ciências e técnicas, outros campos do conhecimento humano, tais como as artes, a espiritualidade e as filosofias se somam para construir uma abordagem transdisciplinar da água Abordagem que pode transcender o enfoque utilitarista e recuperar a reverência diante desse elemento.




2 comentários:

Eleonora Santa Rosa disse...

Muito bom, Maurício!


Marilu Dumont disse...

Texto muito esclarecedor. Gratidão, Maurício.